Pular para o conteúdo principal

Voltagem

Desde que comecei meu curso técnico em eletrônica, os professores sempre recriminaram o uso da palavra "voltagem" para designar a diferença de potencial elétrico. Diziam que o certo é tensão. Aprendi assim.


Na universidade, alguns professores falavam em voltagem - mas eles eram do departamento de física e, de acordo com os engenheiros, voltagem é um termo usado erroneamente pelos físicos.


Mas será que voltagem é tão errado assim? Resolvi pesquisar.
Todos os dicionários que pesquisei trazem a palavra voltagem como sinônimo de tensão. Muitos livros técnicos também tratam os termos como sinônimos. Ou seja: ambos estão certos.


(a partir de agora, teorias inventadas pela minha cabeça)
O termo em inglês é "voltage". Creio que, numa livre adaptação à língua portuguesa, virou voltagem (a unidade de medida de diferença de potencial é o Volt). Com o tempo, a palavra passou a ser mais e mais usada e assim, fazer parte do nosso vocabulário - e dicionário.


Os engenheiros se recusaram a usar o termo derivado do inglês. O que é contraditório, pois é muito comum na profissão usar termos em inglês mesmo quando existe um equivalente na língua oficial de nosso país. De qualquer forma, na primeira escola de engenharia do país, disseram que falar em voltagem era errado e esse conhecimento tem passado de geração para geração.


Engraçado é que geralmente engenheiros não sabem usar bem o português e nesse caso, na única coisa em que acham que estão certos tratando-se de gramática, não estão.


Eu continuo falando tensão e/ou diferença de potencial. Meu cérebro está mais acostumado com esses termos, e evita que os companheiros de profissão me olhem feio, achando que sou um analfabeto.


Mas não me venha falar em amperagem! Essa palavra sim, é bisonha e está errada! Corrente elétrica, por favor...

Comentários

  1. E a corrente? Não vem de electric current?
    Aprendi nos últimos meses que os engenheiros mecânicos também têm suas frescuras com os termos técnicos. Eles torcem o nariz quando alguém diz cano ao invés de tubo. E nunca diga uma cota em centímetros. Centímetro é unidade de costureira. Engenheiros mecânicos sempre usam milímetro.

    ResponderExcluir
  2. Infelizmente muitos eng são arrogantes em seu conhecimento e se acham os caras, não existe ninguém melhor, mas nunca tiveram a humildade de pesquisar, e se achassem isso diriam, eu sou eng eu que sei não os gramáticos, querem dominar até a lingua, idiotas. E vai discutir o termo voltagem com alguém...

    OBS: Sou estudante de Eng. Elétrica e já fui humilhado por usar voltagem :p

    ResponderExcluir
  3. Anônimo12:21 AM

    Voltagem está errado assim como as válvulas chamam de "registro", válvula não registra nada, quem registra é registrador.

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  5. Anônimo8:50 AM

    Viagem nao existe. Usar termo voltagem anula prova de tecnico em eletronica.... Tensao e corrente. Somente isso

    ResponderExcluir
  6. Anônimo5:08 PM

    Usar o termo "voltagem" para tensão e "amperagem" para corrente é o mesmo que usar o termo "kilometragem" ou "metragem" para distâncias. ;)

    ResponderExcluir
  7. Anônimo9:32 AM

    tem que ter em mente que termos técnicos são uma coisa e linguagem é outra . Portanto numa prova de elétrica o correto é usar os termos técnicos mas num diálogo se alguém usar a palavra voltagem não está errado pois é uma palavra do idioma e tem em todos dicionários .

    ResponderExcluir
  8. Anônimo9:17 PM

    tensão elétrica - volt - voltagem
    corrente elétrica- ampere - amperagem
    potencia - watt- wattagem
    capacitância - farad - faradagem
    carga elétrica - coulomb - ?????

    Os físicos, os engenheiros, os técnicos, etc, deviam usar os termos que constam no S.I ...

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

As notícias falsas que confundiram o público da Campus Party MG

Tive o prazer de ministrar uma palestra na última edição da Campus Party em MG com o tema "Fake News - Como viver num mundo de mentiras". Em breve, essa palestra estará disponível no YouTube e, assim que tiver o link, compartilho com você.



No início da minha apresentação, mostrei algumas notícias e pedi para o público preencher um questionário avaliando se cada publicação era verdadeira ou falsa. TODAS eram falsas, por mais convincentes que parecessem.

O público da Campus Party é jovem e ligado em tecnologia, o que poderia nos levar à hipótese de que estariam mais antenados e conseguiriam identificar o que realmente aconteceu. Os resultados foram um pouco diferentes.

A primeira notícia falava que o plantão da Globo nos atentados de 11 de setembro interromperam um episódio de Dragon Ball Z. 44% do público estava convencido de que isso era verdade. Esse é um caso curioso, pois é muito comum encontrarmos pessoas que afirmam se lembrar do ocorrido, mas essa é uma espécie de memória…

Pista premium, essa aberração dos shows no Brasil

O cantor inglês Ed Sheeran tocou ontem em Belo Horizonte em uma apresentação cheia de altos e baixos. Um problema que chamou a atenção foi o tamanho da semi-deserta pista premium. A impressão que dava é que nem um terço do espaço dedicado ao pessoal que pagou o dobro do preço estava ocupado. A foto abaixo tirada durante a apresentação do cantor dá um noção do vácuo existente.


A organização foi no mínimo incompetente para dimensionar o espaço. Fica feio e desagradável tanto para o público quanto para o cantor.

Reproduzo a seguir um texto que escrevi em 2014 para o Move That Jukebox onde falo um pouco sobre esse costume indigesto dos promotores de shows no Brasil.

******
O abismo entre a pista comum e a pista premium

A simples existência de uma pista premium em um show é o suficiente para prejudicar (e muito) a experiência de quem não está nela. Acho natural cobrar valores diferentes para lugares diferentes, mas desde que o lugar esteja marcado. É justo que a cadeira da primeira fila ten…

Quanta inovação pode conter um chinelo?

Não, eu não vou falar das Havaianas. A história da fabricante de chinelos brasileira que coloriu seus chinelos (que eram) feiosos e passou a ser um ícone da moda mundial já foi suficientemente explorada como exemplo de inovação no mundo dos negócios.

Eu vou falar é da Florine Chinelos, marca bem menor, mas com um produto interessantíssimo e um potencial de crescimento tremendo. Conheci a história da empresa em uma palestra de Alexandre Robazza, do SEBRAE SP.


Parece bucha de banho, né? Mas na verdade é o mesmo material utilizado para fazer tapetes. Aliás, o chinelo foi criado numa fábrica de tapetes.
Incomodado com as tiras que sobravam na fabricação dos tapetes, o criador do produto Carlos Gasparini, buscava alguma utilidade para os retalhos, até que um dia teve a ideia de fazer um chinelo. Após várias tentativas e com o protótipo em mãos, foi procurar o SEBRAE.
Com o apoio do SEBRAE, patenteou o produto, registrou a marca e começou a produção. Claro que não foi da noite para o dia, h…