boo-box

30 novembro 2009

Os fantasmas de Scrooge

christmascarol

Um Conto de Natal, de Charles Dickens, é uma história que atravessa gerações desde 1843, com diversas adaptações e versões.

A geração que nasceu nos anos 80 (a minha) conhecia bem a versão O Conto de Natal do Mickey. As crianças de hoje agora tem a oportunidade de conhecer mais uma adaptação da Disney, dessa vez uma animação feita por Robert Zemeckis.

Ou não. Porquê o filme parece ser sombrio demais para os pimpolhos. No cinema, ouvi frases como “Mãe, me arrependi de ter vindo ver esse filme” ou “Eu preferia ver o Planeta 51”.

Então, esqueçam as crianças.

O filme é ótimo para quem tem mais de 10 anos. A história já é conhecida pela maioria do público o que faz com que o filme não tenha surpresas. A animação realista é um show de tecnologia e o 3D é muito bem feito, natural e sem exageros.

Rende uma hora e meia de diversão. Mas o que fica na memória é a velha história do Mickey. A não ser que você seja uma criança que foi levada ao cinema pelos pais e teve pesadelos depois…

P.S.: Mais uma vez, os tradutores brasileiros fizeram um péssimo trabalho na tradução do título do filme. Os Fantamas de Scrooge é um nome ruim, que desvaloriza a obra original.

22 novembro 2009

The Killers debaixo d'água


A chuva não deu trégua, e ao chegar à Chácara do Jockey para assistir ao show do The Killers, fui recebido com uma grande poça de lama. Achei que seria só na entrada, mas ao ver a pista em frente ao palco percebi que não tinha jeito: era torcer pra não pegar leptospirose e afundar o pé na enchente.

Durante as duas horas que antecederam o show, fiz um barquinho de papel, vi pessoas caírem na água ou mergulharem de propósito, concurso de camiseta molhada e outras bizarrices.

Qualquer organizador sensato teria cancelado ou transferido o show, e se a secretaria de saúde vistoriasse o local provavelmente não teríamos a apresentação. Eu resolvi não pensar nas consequências para minha saúde e deixei o espírito do rock an roll me levar.

Eu e mais 12 mil pessoas.

O hit Human abriu o show, no mais arrepiante início de show que já presenciei. Bastou a primeira nota para que todos começassem a pular e a água suja que estava quase nos joelhos espirrar até o pescoço. A plateia cantou junto com a banda e a partida começou ganha para Brandon Flowers e sua trupe.

A partir daí o que se viu foi um público entregue (que está na chuva é pra se molhar) e uma sequência de canções de tirar o fôlego: This Is Your Life, Somebody Told Me, For Reasons Unknown, Bones, The World We Live In, e a dançante Joy Ride, uma das minhas favoritas.

Com apenas 3 discos lançados (mais um de b-sides), a banda consegue preencher um show só com hits, acompanhados em uníssono pelos espectadores. Flowers ainda tentou cantar o cover Can't Help Falling In Love, de Elvis Presley, mas a plateia não deixou e cantou junto.

Há quem diga que o The Killers pensa que é o U2 atualmente. Pelo que vi, pelas canções épicas, efeitos especiais, e resposta do público, a banda tem tudo para se tornar o substituto dos irlandeses nos estádios lotados no futuro.

O verso "I got soul but I'm not a soldier" transcendeu a música All These Thing That I've Done e virou um hino de uma geração de americanos marcados pela guerra. Repetido à exaustão, encerrou a primeira parte do show.

No bis, duas canções dos primeiros discos, Jenny Was A Friend Of Mine e When You Were Young recheadas de efeitos especiais, deixando o público extasiado.

Cinco anos após o lançamento do primeiro disco, o The Killers se despediu deixando a impressão de que em breve estarão lotando estádios e arrastando multidões.

P.S.: Eu achava que a Chácara do Jockey não poderia ser um lugar pior do que foi na época no show do Radiohead, que os organizadores aprenderiam com os erros. A grande ironia é que dois dos shows mais fantásticos que assisti aconteceram no pior lugar o possível para realizá-los.

Na área em que permaneci durante o show, vi 3 celulares/câmeras mergulharem no pântano. Não quis arriscar o meu também: a chuva não deu trégua, e o movimento dos humanos em volta era perigoso. Por esses motivos, não tenho nenhuma foto do show, só do antes e depois.

18 novembro 2009

Vertigo nº1

Panini_vertigo_01 Vertigo, o selo de HQs adultas da DC Comics ficou quase um ano ser ser publicado no Brasil. A Panini Comics passou a ser a detentora dos direitos de publicação e já lançou algumas edições.

A principal delas é a nova revista mensal que traz no título o nome do selo, Vertigo. Com 132 páginas, e custando R$9,90 traz 5 histórias por edição.

Na capa, o clássico Hellblazer, cuja edição 175 é publicada no miolo. John Constantine é uma das personagens símbolo do selo e já teve até um longa-metragem estrelado por Keanu Reeves.

Sandman Apresenta: A Tessalíada é a melhor HQ da revista. Traz a história da bruxa Thessaly, e é escrita por Bill Willingham, de Fábulas. A não-tradução do nome da bruxa para Tessália foi polêmica. Eu preferia que o nome fosse usado em português, mas se mudarem a partir da segunda edição vai ficar muito esquisito.

As outras 3 histórias são menos conhecidas do público.

Lugar Nenhum é baseado no livro homônimo de Neil Gaiman. Passada numa Londres subterrânea, tem enredo consistente e forte apelo visual.

Vikings é outro ponto alto da publicação. Temática diferente pra quem estava acostumado com as aventuras de Hagar, o Horrível como maior personagem viking dos quadrinhos (eu, por exemplo).

Fechando a edição, a aventura indígena Escalpo. Foi a que menos me agradou. Mas pelos elogios que recebe da crítica em geral, acho que tenho chances de gostar dela no futuro.

Um detalhe interessante é que, exceto Hellblazer, todas as histórias são originalmente edições número 1. Isso facilita a organização das coleções de quadrinhos e atrai novos leitores. Ponto positivo!

Com preço competitivo e histórias de qualidade, a revista tem tudo pra se tornar uma das principais publicações de quadrinhos do Brasil.

13 novembro 2009

Onde fica o botão de autodestruição?

avio_c1000_C_pia_thumb_2_ 9 meses atrás comprei um mpQualquercoisa e passei a usar. Eu já escrevi uma análise do aparelho aqui anteriormente.

Ele tinha funcionado bem até 3 semanas atrás, quando a bateria pifou e não consegui recarregá-la nunca mais. Por sorte (ou precaução) o equipamento veio com uma bateria reserva.

Um semana atrás, o vibracall estragou. No dia seguinte, o display quebrou (ok, nessa parte eu tive culpa – leia-se montanha-russa).

Passados mais dois dias, foi a vez da caixa de som apresentar defeitos. E a função dual-chip também teve problemas.

Resolvi comprar um novo aparelho. Creio que se eu utilizasse meu Avio C1000 por mais uma semana ele provavelmente teria explodido no meu bolso.

Como avaliação final: não vale a pena investir num aparelho desses. Ele durou 9 meses, o que é pouco pelo preço que investi. Mas se você quiser tentar a sorte, fique à vontade…

Uma porção de rock and roll, por favor

O show que Iggy Pop fez ao lado da banda The Stooges, na última edição do festival Planeta Terra tomou as manchetes dos jornais. Não pela música.

O fato de Iggy ter 62 anos e se comportar como um jovem rebelde é um dos motivos. Sem camisa, chegou a mostrar o cofrinho e nem ligou pra isso. O que importava pra ele era fazer um show de rock and roll.

O outro motivo: a truculência dos seguranças, que abusaram da força contra o público e a imprensa.

Em determinado momento da apresentação, convidou o público a subir no palco. E isso é um convite irrecusável (experiência própria).

O vídeo abaixo mostra o momento:

Esse é o espírito do rock and roll contestador, inconsequente, cheio de atitude. É a música como postura, comportamento, uma expressão cultural.

É claro que isso não estava combinado, e a organização acabou gerando uma confusão. Mas tudo que ocorreu serviu pra deixar o show ainda mais histórico e inesquecível.

Frases como “Foi o melhor momento da minha vida” e “Eu dividi o palco com o Iggy Pop” espalhadas nas redes sociais mostram a importância desse momento para o público lá presente.

E assim a apresentação de Iggy Pop se tornou o grande momento do festival, com repercussão internacional.

Essas imagens me deixam arrepiado – mesmo eu não sendo nem um pouquinho punk rocker – enquanto esse show acontecia, eu estava a poucos metros dançando ao som do The Ting Tings.

Eu podia ter feito parte desse momento histórico, mas acho que me diverti mais cantando Shut Up and Let Me Go!

09 novembro 2009

Planeta Terra

DSC00458

A primeira grande sacada do Planeta Terra Festival desse ano foi realizar o evento dentro do Playcenter, com os brinquedos à disposição do pessoal. Ótima ideia!

Pra melhorar a situação, fui um dos vencedores da promoção do ônibus do Terra, e pude aproveitar o festival do ônibus-camarote.

Comecei assistindo ao show instrumental do Macaco Bong. Mas aí o parque começou a me chamar e resolvi brincar um pouco.

O show dos Móveis Coloniais de Acaju foi animado como sempre, embora o local ainda estivesse um pouco vazio. Gritei “toca Gregório”, mas não consegui que atendessem o pedido de tocarem uma música com meu nome.

Vi o começo da apresentação do Maxïmo Park. Eles devem ser uma espécie de Jota Quest na Inglaterra: músicos competentes, canções cheias de refrões grudentos, presença de palco, carisma, mas nada de revolucionário. No meio do show meu espírito dançante acabou me levando ao palco onde o Copacabana Club tocava. E foi uma boa escolha, pois o show dos curitibanos foi animadíssimo.

Comecei a assistir o Primal Scream, e achei melhor do que esperava. Até porque pelo pouco que conhecia da banda, eu não esperava nada. Mas preferi seguir para o palco onde o elfo andrógino Patrick Wolf tocava seu rock celta recheado de violinos, danças exageradas e roupas esquisitas. E uma das músicas eu vi da montanha russa!

Na hora do Sonic Youth chovia muito. Fiquei dentro do ônibus-camarote assitindo da janelinha. Nem aproveitei muito mas gostei, principalmente porque tocaram muitas canções do disco mais recente, meu favorito.

Meia-noite, hora de escolher entre Iggy Pop e Ting Tings. Preferi o Ting Tings, e pra mim foi o melhor show do festival. Incrível como apenas duas pessoas conseguem fazer um show tão empolgante e cheio de atitude.

Ainda consegui ver o finalzinho do show do vovô Iggy Pop, mas não acompanhei a hora da confusão e invasão do palco. Tenho a impressão de que no mundo do rock and roll, os melhores momentos, que ficam para a história, são aqueles em que tudo dá errado.

Mas melhor que os shows, foi o clima de Big Brother do ônibus do Terra. Pessoas que só se conheciam nas redes sociais acabaram compondo uma turma que parecia ser formada por amigos de infância.

E o Planeta Terra continua sendo o melhor festival de música do Brasil.

get

07 novembro 2009

Toca uma música boa, por gentileza

Banda Gentileza - capa

Já estou acostumado. As músicas que gosto não servem para ser tocadas em eventos sociais com mais de 3 pessoas de gosto musical diferente. A não ser quando a festa é em minha casa!

No meu último aniversário, uma amiga que queria ouvir sertanejo alegou que a cota dela para música alternativa já tinha estourado no ano. É claro que não dei bola, o aniversário era meu!

Ocorre que às vezes as pessoas podem gostar da música, e acabam perguntando o que está tocando. E um fenômeno interessante ocorreu no último fim de semana.

A cada música da Banda Gentileza que era tocada na festa em que eu era o anfitrião, alguém me perguntava que banda era aquela. Fiquei empolgado, afinal não é todo dia que aprovam minha seleção musical!

Com letras inteligentes, melodias bem trabalhadas, e misturando ritmos, os curitibanos são uma das maiores surpresas e promessas do rock nacional da atualidade. E você pode até não gostar das músicas que ouço, mas pelo menos da Banda Gentileza você vai gostar. Experiência própria.

06 novembro 2009

Síntese

É isso.

This is It

This is it Talvez o documentário sobre a turnê nunca realizada do Michael Jackson pudesse ter o subtítulo “Apenas para fãs”.

This is it reúne imagens gravadas durante os ensaios da turnê que MJ faria em Londres, e já estava com todos os ingressos vendidos.

As imagens poderiam muito bem fazer parte dos extras do DVD da turnê, caso ela tivesse ocorrido. Aliás, creio que tenha sido esse o objetivo ao realizarem as gravações.

Uma postura interessante do diretor é que o filme não tem nenhuma apelo emocional em torno da morte de Michael. É um documentário atemporal, e tem como grande trunfo mostrar como seria o show, e provar que o astro tinha plenas condições de cantar e dançar. E como essas apresentações estavam cercadas de expectativa, nada mais justo para os fãs terem acesso ao material produzido. É um longa metragem que hoje faz sentido que exista, mas que daqui há uns 5 anos não terá o mesmo impacto.

Mas se você começou a gostar do rei do pop depois dessa overdose midiática dos últimos meses, o filme não é pra você. Ele nada mais é que um grande making of da turnê.

Só dá umas pontadas de tristezas ao pensar que os shows planejados nunca irão acontecer. Mas fico feliz em perceber que o ídolo está sendo lembrado pelas coisas boas que fazia, e pelo talento que tinha.