Pular para o conteúdo principal

Alice, de Tim Burton



Cercado de expectativa, e com um considerável atraso em relação à estreia mundial, o filme Alice no País das Maravilhas passou a ocupar boa parte das salas de cinema do Brasil.

Seguindo a tendência do mercado, o filme saiu em uma versão 3D. Mas os efeitos não impressionaram - não sei se pelo fato de eu já estar ficando acostumado com a tecnologia ou simplesmente porque não fazem muita diferença mesmo. E eu acho que é a segunda opção.

Alice, de Tim Burton não é uma adaptação dos livros "As aventuras de Alice no país das maravilhas" e "Através do espelho e o que Alice encontrou por lá". É uma continuação. Dessa forma, o diretor foge de comparações com a obra original e tem uma maior liberdade de criação. Mas dessa vez não sei se isso foi bom.

Tim Burton se apodera das personagens de Lewis Carroll e cria uma história diferente. Alice não é mais uma criança curiosa que se surpreende a todo instante e passa a ser uma heroína que, de acordo com uma profecia, irá salvar o mundo. Salvar o mundo? Profecia? Não tinha nada mais clichê não?

O roteiro escorrega e a história não cativa tanto. Nada tem cara de novidade. Tudo bem que Alice está revisitando o local, mas não há surpresas.

Ainda assim, o filme é um espetáculo visual belíssimo. As personagens desenhadas em computador são convicentes e interessantes. E embora Johnny Depp não esteja em sua melhor forma, Helena Bonham Carter e Anne Hathaway estão ótimas como a Rainha Vermelha e Rainha Branca.

Ao sair da sessão, a impressão que fica é de que faltou algo. Mas não sei dizer o quê.

AVISO: SÓ LEIA A PARTIR DAQUI SE JÁ ASSISTIU AO FILME - OU SE NÃO SE IMPORTA EM ESTRAGAR SURPRESAS

No final do primeiro livro, Lewis Carroll mostra que tudo foi um sonho. No segundo, levanta a questão: será que é sonho ou verdade? E Tim Burton termina a trilogia dizendo que era tudo verdade.

Mas será que o autor queria que a saga de Alice terminasse assim? De certa forma, pode até parecer lógico que Tim Burton siga esse caminho, o problema é que o final muda tudo que se sabia sobre o país das maravilhas. Ou será que isso nem é um problema?

Comentários

  1. Confesso que fiquei tensa com tanto sensacionalismo no pré-lançamento... até passou o making-off na tv, mas eu não quis ver.
    Apesar disso, gostei bastante da montagem, os efeitos me impressionaram e não digo que foi melhor que Avatar pq o enredo do mesmo me influencia fortemente a criticar as outras caraterísticas. =P
    Helena Bonham Carter está demais! Será que ela se inspirou em Robespierre da Revolução Francesa? rsrsrs

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

As notícias falsas que confundiram o público da Campus Party MG

Tive o prazer de ministrar uma palestra na última edição da Campus Party em MG com o tema "Fake News - Como viver num mundo de mentiras". Em breve, essa palestra estará disponível no YouTube e, assim que tiver o link, compartilho com você.



No início da minha apresentação, mostrei algumas notícias e pedi para o público preencher um questionário avaliando se cada publicação era verdadeira ou falsa. TODAS eram falsas, por mais convincentes que parecessem.

O público da Campus Party é jovem e ligado em tecnologia, o que poderia nos levar à hipótese de que estariam mais antenados e conseguiriam identificar o que realmente aconteceu. Os resultados foram um pouco diferentes.

A primeira notícia falava que o plantão da Globo nos atentados de 11 de setembro interromperam um episódio de Dragon Ball Z. 44% do público estava convencido de que isso era verdade. Esse é um caso curioso, pois é muito comum encontrarmos pessoas que afirmam se lembrar do ocorrido, mas essa é uma espécie de memória…

Pista premium, essa aberração dos shows no Brasil

O cantor inglês Ed Sheeran tocou ontem em Belo Horizonte em uma apresentação cheia de altos e baixos. Um problema que chamou a atenção foi o tamanho da semi-deserta pista premium. A impressão que dava é que nem um terço do espaço dedicado ao pessoal que pagou o dobro do preço estava ocupado. A foto abaixo tirada durante a apresentação do cantor dá um noção do vácuo existente.


A organização foi no mínimo incompetente para dimensionar o espaço. Fica feio e desagradável tanto para o público quanto para o cantor.

Reproduzo a seguir um texto que escrevi em 2014 para o Move That Jukebox onde falo um pouco sobre esse costume indigesto dos promotores de shows no Brasil.

******
O abismo entre a pista comum e a pista premium

A simples existência de uma pista premium em um show é o suficiente para prejudicar (e muito) a experiência de quem não está nela. Acho natural cobrar valores diferentes para lugares diferentes, mas desde que o lugar esteja marcado. É justo que a cadeira da primeira fila ten…

Quanta inovação pode conter um chinelo?

Não, eu não vou falar das Havaianas. A história da fabricante de chinelos brasileira que coloriu seus chinelos (que eram) feiosos e passou a ser um ícone da moda mundial já foi suficientemente explorada como exemplo de inovação no mundo dos negócios.

Eu vou falar é da Florine Chinelos, marca bem menor, mas com um produto interessantíssimo e um potencial de crescimento tremendo. Conheci a história da empresa em uma palestra de Alexandre Robazza, do SEBRAE SP.


Parece bucha de banho, né? Mas na verdade é o mesmo material utilizado para fazer tapetes. Aliás, o chinelo foi criado numa fábrica de tapetes.
Incomodado com as tiras que sobravam na fabricação dos tapetes, o criador do produto Carlos Gasparini, buscava alguma utilidade para os retalhos, até que um dia teve a ideia de fazer um chinelo. Após várias tentativas e com o protótipo em mãos, foi procurar o SEBRAE.
Com o apoio do SEBRAE, patenteou o produto, registrou a marca e começou a produção. Claro que não foi da noite para o dia, h…