Pular para o conteúdo principal

O iê iê iê de Arnaldo Antunes

Iê Iê Iê é o melhor e mais acessível álbum da carreira de Arnaldo Antunes. Fui conferir se o show era tão bom quanto o disco na última quinta-feira, no SESC de Taubaté.

Setlist Arnaldo Antunes - SESC Taubaté

Arnaldo Antunes faz um show de rock pra quem cresceu – mas ainda assim um show de rock. “Pois ser eternamente adolescente, nada é mais demodé”, como canta na ótima Envelhecer.

E um show de rock pra adultos é um show onde as pessoas cantam junto, mas prestam mais atenção na banda que nas pessoas que estão à sua volta (sem trombar em ninguém), onde seus filhos podem ir junto (mesmo que seja só porquê você não tem um lugar pra deixá-los) e onde o cantor pode descer do palco e cantar no meio da plateia sem ser despido ou agarrado.

Uma surpresa pra muitos é encontrar Edgard Scandurra na guitarra. Ele é mais que um músico de apoio, e praticamente divide o show com o cantor. É daqueles guitarristas que consegue puxar os holofotes pra si e arrancar aplausos expontâneos com seus riffs e solos.

Todas as músicas de Iê Iê Iê foram tocadas, e funcionam muito bem ao vivo. Com uma carreira tão longa, tocar um novo álbum na íntegra pode parecer uma aposta arriscada. Entretanto, Iê Iê Iê tem canções tão agradáveis, com um clima de “eu acho que já ouvi isso antes e gostei” que na primeira audição conquista o ouvinte.

Arnaldo Antunes tem uma presença de palco cativante, um jeito louco de dançar (porquê ser louco é legal), uma voz característica e uma banda super competente. Aliado à ótimas letras e melodias, compõe um dos melhores shows nacionais dos últimos anos.

Arnaldo só não tem costeletas. Nunca teve.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pista premium, essa aberração dos shows no Brasil

O cantor inglês Ed Sheeran tocou ontem em Belo Horizonte em uma apresentação cheia de altos e baixos. Um problema que chamou a atenção foi o tamanho da semi-deserta pista premium. A impressão que dava é que nem um terço do espaço dedicado ao pessoal que pagou o dobro do preço estava ocupado. A foto abaixo tirada durante a apresentação do cantor dá um noção do vácuo existente.


A organização foi no mínimo incompetente para dimensionar o espaço. Fica feio e desagradável tanto para o público quanto para o cantor.

Reproduzo a seguir um texto que escrevi em 2014 para o Move That Jukebox onde falo um pouco sobre esse costume indigesto dos promotores de shows no Brasil.

******
O abismo entre a pista comum e a pista premium

A simples existência de uma pista premium em um show é o suficiente para prejudicar (e muito) a experiência de quem não está nela. Acho natural cobrar valores diferentes para lugares diferentes, mas desde que o lugar esteja marcado. É justo que a cadeira da primeira fila ten…

O que acontece se um vampiro morder um zumbi? E se um zumbi morder um vampiro?

Já parou pra pensar no que acontece quando um vampiro morde um zumbi? Será que o zumbi vira um vampiro? E quando a situação é a inversa? Será que uma mordida de zumbi transforma o ser de dentes pontudos?
Tanto vampiros quanto zumbis são seres que podem ser classificados como "mortos-vivos". Isso significa que, apesar deles conseguirem executar certas ações que usualmente apenas os seres vivos são capazes, eles estão mortos. Na prática, se um vampiro morder um zumbi ou vice-versa não acontece nada. 

A razão desse efeito (ou da ausência de efeito) é que os zumbis mordem apenas seres vivos. Por esse motivo, eles não mordem outros zumbis, vampiros e múmias, por exemplo.
Por outro lado, os vampiros precisam se alimentar de sangue de seres vivos. E, embora os zumbis tenham sangue circulando em suas veias, eles já estão mortos.
Assim sendo, se um vampiro cruzar com um zumbi, certamente eles não se atacarão. E mesmo supondo que seja um vampiro doidão que queira morder um ser um put…

Quanta inovação pode conter um chinelo?

Não, eu não vou falar das Havaianas. A história da fabricante de chinelos brasileira que coloriu seus chinelos (que eram) feiosos e passou a ser um ícone da moda mundial já foi suficientemente explorada como exemplo de inovação no mundo dos negócios.

Eu vou falar é da Florine Chinelos, marca bem menor, mas com um produto interessantíssimo e um potencial de crescimento tremendo. Conheci a história da empresa em uma palestra de Alexandre Robazza, do SEBRAE SP.


Parece bucha de banho, né? Mas na verdade é o mesmo material utilizado para fazer tapetes. Aliás, o chinelo foi criado numa fábrica de tapetes.
Incomodado com as tiras que sobravam na fabricação dos tapetes, o criador do produto Carlos Gasparini, buscava alguma utilidade para os retalhos, até que um dia teve a ideia de fazer um chinelo. Após várias tentativas e com o protótipo em mãos, foi procurar o SEBRAE.
Com o apoio do SEBRAE, patenteou o produto, registrou a marca e começou a produção. Claro que não foi da noite para o dia, h…