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Brincadeira de adulto

(ou como o Pato Fu conseguiu gravar um disco inteiro só com instrumentos de brinquedo)

Pato Fu - Música de brinquedo

O mês de agosto marcou o lançamento de Música de Brinquedo, novo álbum do Pato Fu. O trabalho anunciado há alguns meses foi recebido pelos fãs com um misto de expectativa e curiosidade.

O décimo disco continua a tradição da banda de nunca fazer nenhum trabalho parecido com o anterior. Ou melhor, o trabalho não pode ser parecido com nada que já surgiu no mundo da música.

Todas as 12 faixas do CD são regravações. O que poderia parecer uma estratégia de vendas na verdade se encaixa no conceito do álbum. Cada canção segue o arranjo original, nota a nota, com uma diferença: o Pato Fu usou apenas instrumentos de brinquedo.

Para completar a banda, foram convidadas as crianças Nina Takai e Matheus D’Alessandro para cantar em quase todas as músicas. Mariana Devin, João Lucas Ulhoa e André Ulhoa também tiveram participações pontuais.

Essa participação infantil acabou transformando o disco em um disco para crianças. Ou não.

O repertório escolhido é muito variado, e composto por canções que de certa forma já se tornaram clássicas no mundo da música popular.

Primavera, popular na voz de Tim Maia e Live and Let Die, de Paul McCartney foram as primeiras a serem divulgadas para o público em vídeos há alguns meses.

Love Me Tender, já tocada pelos patos com instrumentos de verdade, ganhou nova versão. A música de Elvis parece até uma canção de ninar.

Rock and Roll Lullaby, de B. J. Thomas e My Girl, de The Temptations são aquelas músicas que todo mundo no Brasil conhece mas não sabe quem gravou. O que é suficiente para fazer todos cantarem juntos.

As origens do rock brasileiro são representadas por versões de Roberto Carlos e Rita Lee na divertida Todos Estão Surdos e na fofíssima Ovelha Negra.

Os anos 80 marcam presença com Sonífera Ilha, dos Titãs, Ska, dos Paralamas e a baranguinha Pelo Interfone, de Ritchie.

Fernada volta a cantar em japonês em Twiggy Twiggy, do Pizzicato Five. O clima de brincadeira do disco é explicitado num diálogo da cantora com as crianças Nina e Matheus.

Ainda há espaço para Frevo Mulher, de Zé Ramalho, que parecia impossível de ser regravada por uma banda de rock.

Aliás, não se pode rotular Música de Brinquedo como um disco de rock. Nem pop. Nem infantil. Vai ser um álbum pra dar trabalho para os lojistas, que não saberão em qual prateleira colocá-lo à venda.

O Pato Fu, com quase 20 anos de carreira é uma das poucas bandas brasileiras que ainda consegue produzir discos relevantes. Criativa, original, e outras coisas difíceis de se ver por aí.

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