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Shakira: o pop, o rock e o The xx

(ou quase isso)

front

Não escondo que há 14 anos, a Shakira era uma das minhas cantoras favoritas. Não escondo também minha decepção desde o começo desse século, quando ela se aproximou do estilo das estrelas pop norte-americanas, começou a cantar em inglês, e abandonou as baladas pop e os rockzinhos do começo de carreira.

No entanto, ao ler as primeiras críticas que saíram sobre seu lançamento mais recente, Sale El Sol, que apontavam uma volta às origens, resolvi dar uma nova chance à colombiana. Confesso, fiquei surpreso com o resultado. É o melhor disco dela em 10 anos.

Se você está ligado nas rádios, provavelmente já ouviu o single Loca, e a canção tema da Copa do Mundo, Waka Waka (incluída como bônus track). E se ouviu, não percebeu difereça nenhuma em relação às músicas que Shakira gravou nos últimos anos – porque não há mesmo.

A música que abre o disco, Sale El Sol, lembra as primeiras gravações da cantora, na época em que ela era legal e eu não tinha vergonha de dizer que gostava. O mesmo se pode dizer de Antes de Las Seis, Lo que más, e a fofa Mariposas. Ou seja, há pelo menos 4 boas músicas.

Os ritmos latinos se mostram fortes em Loca, Rabiosa e Gordita. Nessas músicas, Shakira é a cantora rebolativa que conquistou todo o prestígio pop internacional que detém – mas que eu particularmente não gosto.

No entanto, o ponto alto do álbum é quando o lado indie rock de Shakira se evidencia. Parece estranho, mas é verdade. Desde junho desse ano, corre na web um vídeo dela cantando Islands, do The xx, no festival Glastonbury. Convenhamos, eles são os queridinhos do rock alternativo contemporâneo (ou seria o Arcade Fire?). E, felizmente, a canção foi gravada em estúdio e incluída no álbum.

A versão de Islands cantada por Shakira perdeu um pouco da melancolia e se tornou mais acessível para os fãs de música pop. E acreditem, ficou muito boa. A colombiana provou que consegue ser sexy sem precisar rebolar e mostrou ao mundo que ainda tem um pouco de rock no sangue.

Usualmente, os discos das cantoras de música pop tem 2 ou 3 boas músicas e mais uma penca de canções descartáveis. É assim com Katy Perry, Christina Aguilera, Pink, Britney Spears. Sale el Sol não chega a ser um álbum 100% interessante, mas foge da regra: tem mais pontos altos que baixos e vale uma audição atenta.

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