boo-box

27 abril 2010

Pato Fu. De novo.

Domingo eu fui ao meu 13º show do Pato Fu. E sábado no 12º. Percebe-se que sou suspeito pra falar da banda, mas eu insisto.

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A banda se prepara para lançar seu décimo disco, em quase 18 anos de carreira. Até lá, continua a turnê do álbum Daqui pro futuro. Nesse final de semana fez dois grandes shows no SESC Pompeia.

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Nos dois dias, ingressos esgotados. A plateia dos patos é diversa, tem velhinhas e crianças, mães e filhas dos fãs que cresceram. E novos fãs, é claro.

Todos os álbuns da carreira estiveram presentes no setlist – a banda já chegou num ponto em que sempre vai faltar um hit, mas não dá pra tocar 50 músicas por show.

Por isso, boas surpresas como a clássica e (des)conhecida “Mamãe ama é o meu revolver” são tão bem recebidas – e cantadas a plenos pulmões – ainda que apenas por 15% da plateia.

Pela primeira vez, a banda apresentou uma nova versão da música “Simplicidade”, num clima bem Belle and Sebastian. Com um conceito muito diferente do original, emocionou os presentes.

O repertório ainda incluiu a clássica “Rotomusic de Liquidificapum” que foi emendada ao “Hino Nacional do Pato Fu” e assustou parte do público – enquanto a outra parte batia a cabeça e os pés, se contendo pra não levantar das cadeiras do teatro.

Da roda de pogo punk, a banda foi direto para “Canção pra você viver mais”, seguida uma canção em japonês emendada com um metal na voz da capeta Fernanda. Nenhuma outra banda no mundo consegue emendar músicas tão diferentes e ainda assim soar coerente.

Já tá decidido. A banda que vai tocar na festa do meu casamento vai ser o Pato Fu.

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Pato Fu no Boulevard Tatuapé

O patofã

25 abril 2010

Alice, de Tim Burton



Cercado de expectativa, e com um considerável atraso em relação à estreia mundial, o filme Alice no País das Maravilhas passou a ocupar boa parte das salas de cinema do Brasil.

Seguindo a tendência do mercado, o filme saiu em uma versão 3D. Mas os efeitos não impressionaram - não sei se pelo fato de eu já estar ficando acostumado com a tecnologia ou simplesmente porque não fazem muita diferença mesmo. E eu acho que é a segunda opção.

Alice, de Tim Burton não é uma adaptação dos livros "As aventuras de Alice no país das maravilhas" e "Através do espelho e o que Alice encontrou por lá". É uma continuação. Dessa forma, o diretor foge de comparações com a obra original e tem uma maior liberdade de criação. Mas dessa vez não sei se isso foi bom.

Tim Burton se apodera das personagens de Lewis Carroll e cria uma história diferente. Alice não é mais uma criança curiosa que se surpreende a todo instante e passa a ser uma heroína que, de acordo com uma profecia, irá salvar o mundo. Salvar o mundo? Profecia? Não tinha nada mais clichê não?

O roteiro escorrega e a história não cativa tanto. Nada tem cara de novidade. Tudo bem que Alice está revisitando o local, mas não há surpresas.

Ainda assim, o filme é um espetáculo visual belíssimo. As personagens desenhadas em computador são convicentes e interessantes. E embora Johnny Depp não esteja em sua melhor forma, Helena Bonham Carter e Anne Hathaway estão ótimas como a Rainha Vermelha e Rainha Branca.

Ao sair da sessão, a impressão que fica é de que faltou algo. Mas não sei dizer o quê.

AVISO: SÓ LEIA A PARTIR DAQUI SE JÁ ASSISTIU AO FILME - OU SE NÃO SE IMPORTA EM ESTRAGAR SURPRESAS

No final do primeiro livro, Lewis Carroll mostra que tudo foi um sonho. No segundo, levanta a questão: será que é sonho ou verdade? E Tim Burton termina a trilogia dizendo que era tudo verdade.

Mas será que o autor queria que a saga de Alice terminasse assim? De certa forma, pode até parecer lógico que Tim Burton siga esse caminho, o problema é que o final muda tudo que se sabia sobre o país das maravilhas. Ou será que isso nem é um problema?

20 abril 2010

Enchendo linguiça

enchendo linguiçaEsse post só existe porque tenho vergonha de ter um um texto falando sobre o Luan Santana no topo da página do meu blog.

Por quê o Brasil precisa de Luan Santana?

image Até a reportagem do Fantástico desse final de semana, eu não tinha noção do tamanho do sucesso de Luan Santana. Sabia que o cantor é uma presença constante nas paradas da Billboard, tem vendido muitos discos e seus shows são sempre lotados.

Mas entre o reconhecido sucesso comercial e o posto de ídolo número 1 da juventude brasileira há um abismo. Que tudo indica que Luan atravessou.

No cenário da música sertaneja, dificilmente uma dupla (veja só, são sempre duplas) se mantém no topo das paradas por muito tempo. O estilo de cada grupo costuma ser sempre o mesmo a cada novo lançamento. Eles não perdem a base de fãs, mas o público precisa de novidades, e de tempos em tempos elege um novo ídolo.

Nos últimos anos, o papel de queridinhos do Brasil já foi de César Menotti & Fabiano, Victor e Léo, Jorge & Mateus. E agora é de Luan Santana.

No entanto, ele apareceu como uma estrela diferente, e virou ídolo adolescente – ele nasceu nos anos 90! E agora compete em popularidade com os popstars da música teen norte-americana.

E acho muito mais saudável uma garota se apaixonar pelo sertanejo do Luan Santana do que pelo pop artificial dos Jonas Brothers ou pelo hip hop mirim do Justin Bieber.

Luan faz uma música tipicamente brasileira, suas fãs podem ir aos seus shows, tirar fotos, se comunicar com o ídolo.  A juventude precisa de ídolos e essa proximidade boa para os dois lados.

Um astro como Luan Santana também dá uma sobrevida à gravadora, no difícil cenário de pirataria mundial. E seus shows enormes movimentam um intenso mercado, gerando inúmero empregos diretos e indiretos.

Entretanto, esse status de megastar não deve durar muito. Daqui a no máximo um ano, surgirá uma nova dupla sertaneja pra ser a melhor dupla de todos os tempos da última semana. E ídolos adolescentes crescem, bem como seus fãs. O Polegar, Dominó, Menudo, Backstreet Boys e N’Sync já mostraram que o sucesso adolescente não dura pra sempre.

Não estou dizendo que a carreira de Luan Santana está com os dias contados. Mas provavelmente, daqui a 5 anos sua frequência de shows e relação com os fãs deve estar muito diferente.

Até lá ele lotará seus shows, arrancará lágrimas de jovenzinhas e embalará romances juvenis.

P.S.: Mas que isso tudo aconteça onde eu não precise ouvir nem assistir! Nem de sertanejo eu gosto! (E até hoje só ouvi duas músicas dele).

18 abril 2010

As figurinhas da Copa do Mundo

Álbum da Copa 2010

Sempre gostei muito de álbuns de figurinhas, mas sempre tive dificuldade para trocar as repetidas. Enquanto todo mundo colecionava os álbuns de futebol, eu tentava completar as coleções do Jurassic Park, Rei Leão, Changeman e Marvel Super Heroes, entre outras - ou seja - ninguém colecionava os mesmo álbuns que eu.

Confesso que na última semana, pela primeira vez tive vontade de colecionar o álbum de figurinhas da Copa do Mundo. Como é uma diversão que envolve um custo considerável, resolvi refletir um pouco e tomar uma decisão racional.

E cheguei a algumas conclusões que me direcionam fortemente a não comprar o álbum.

Vejam só, são 640 figurinhas. Cada uma custa R$0,15. Somadas ao preço do álbum, o gasto total chega a R$99,90 – valor mínimo, pois a probabilidade de não sair nenhuma figurinha repetida é ínfima. Sem contar que se eu quiser personalizar uma figurinha com a minha foto (no álbum tem um espaço para colá-la) vou gastar no mínimo mais R$25,60.

As seleções ainda não foram escaladas. Por esse motivo, os times do álbum não são necessariamente os mesmos que jogarão na África do Sul.

Do ponto de vista da sustentabilidade, o álbum é um desperdício enorme de papel.

E de qualquer forma, se eu realmente quiser ter acesso à todas as informações contidas no álbum, eu posso muito bem comprar uma revista. Usualmente, a Placar e outras publicações esportivas sempre lançam uma edição especial com fotos de todos os jogadores, estádios, etc. Isso por um preço mais de 10 vezes menor, e com as escalações oficiais dos times. E gastando muito menos papel.

Eu nunca tinha pensado assim, mas o álbum de figurinhas é umas das maiores exaltações de consumismo da sociedade moderna.

16 abril 2010

Move that jukebox!

Move That JukeboxSemanalmente, o Move That Jukebox, um dos melhores blogs de música do Brasil entrevista algum artista do cenário alternativo.

São sempre 4 perguntas fixas, e mais uma digamos, personalizada. Cansei de esperar eles me procurarem e resolvi responder à entrevista por minha conta. Ainda tive o cuidado de incluir uma pergunta exclusiva.

Good Times Bad Times – qual banda/artista sempre esteve ao seu lado, como trilha sonora de sua vida, tanto nos momentos ruins quanto nos bons?
A primeira vez que me senti fã de verdade de uma banda foi com o Pato Fu, há mais de uma década. De lá pra cá, mais de uma dezena de shows, encontros com a banda e uma admiração constante. Mas a banda que mais mexe comigo é o Belle and Sebastian.

E o hype? O que você tem escutado de novidade?
Entre os brasileiros, vale a pena conhecer a Lulina e também a Banda Gentileza. No cenário internacional, o pop fofo de She & Him, e mais fofo ainda do The xx.

Se você trabalhasse no mundo da música, o que você faria?
Nasci pra ser um rockstar, mas falta talento musical. Seria feliz escrevendo para a Rolling Stone ou pra Billboard. Mas me divertiria mesmo no papel de VJ da MTV.

Do the D.A.N.C.E. – o que não pode faltar na hora de soltar a franga na pista?
Canções de indie rock pra dançar com as mãos fechadas e punhos levantados. MGMT, The Ting Tings, Copacabana Club, Weezer, Wonkavision.

Você não vale nada mas eu gosto de você – todo mundo tem um guilty pleasure, vai. Aquela banda que, quando começa a tocar no computador, você desabilita o last.fm o mais rápido que pode.
OK, confesso que adoro a Christina Aguilera. E esporadicamente escuto o Hanson. 

14 abril 2010

Sérgio Mallandro de volta à UFMG

Alguém se lembra da histórica festa da Vacaiada em 15 de maio de 2009? Sérgio Mallandro, ingressos esgotados e muita diversão no campinho da veterinária da UFMG.

Por coincidência ou destino, o dia 15 de maio de 2010 foi reservado para mais uma festa da Vacaiada com o Sérgio Mallandro, dessa vez acompanhado pelas Mallandrinhas.

Com o sucesso do evento do ano passado, a festa cresceu e dessa vez ela será realizada no sítio Sr. Segismundo, que fica na Rua do Melão, 300, na Pampulha.

O flyer reproduzido a seguir traz mais informações.

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Não é nada menos que imperdível!

Visite o site oficial: http://www.vacaiada.com.br/

06 abril 2010

O mundo ainda precisa dos Strokes?

Nas inúmeras retrospectivas da década que tivemos nesse começo de ano, os Strokes sempre estavam presentes. Is this it?, disco de estreia da banda que saiu em 2001 é um dos melhores e mais influentes a surgir nos últimos tempos.

Os dois discos posteriores mantiveram a qualidade, mas não tiveram tanto impacto no mundo da música. E desde o último álbum da banda, em 2006, a Terra continuou girando normalmente.

Será que o mundo ainda precisa dos Strokes?

É comum encontrar bandas que ficam muitos anos sem gravar e aparecem com discos fabulosos depois do hiato. Os Strokes estão prometendo um disco para esse ano, e de acordo com o site oficial do grupo, eles estão em estúdio. Mas parece que as coisas não andam bem.

Julian Casablancas já disse que está fazendo isso por dinheiro. Ele sequer está com a banda em estúdio, vai gravar sua parte separadamente.

Aí está o perigo. Será que eles conseguirão fazer um bom disco apenas por obrigação?

A história dos músicos mostra que eles nunca tiveram dificuldades financeiras. Talvez isso seja um dos segredos do sucesso: tocar pelo prazer de se divertir, de fazer música, como faziam no começo do século.

Talento eles já mostraram que tem, com ou sem os Strokes. Tivemos ótimos trabalhos solo como o disco de Julian Casablancas e o Little Joy de Fabrizio Moretti. Nikolai também gravou com Nickel Eye e Albert Hammond Jr gravou dois discos sozinho.

Ainda assim, nenhum chegou aos pés da discografia da banda, com 3 lugares reservados na prateleira de clássicos da história da música. Mas será que eles conseguem chegar a esse patamar novamente? Ou melhor, será que alguém consegue?

Leia também:

O mundo ainda precisa do Los Hermanos?

03 abril 2010

A caixa

A Caixa

A caixa parte de uma premissa interessante: um casal recebe uma caixa com um botão e tem 24 horas pra tomar uma decisão. Caso o botão seja apertado, uma pessoa que eles não conhecem morre e eles ganham 1 milhão de dólares. Se não apertarem, nada acontece.

O tema poderia render horas e horas de conflitos éticos, mas isso se rende apenas aos primeiros minutos do filme.

Depois disso, a trama parte para uma ficção científica com poucas explicações, que tenta se justificar citando Arthur C. Clarke ao dizer que “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia.”  E o filme, apesar de relativamente curto, fica muito chato.

Procure outras opções no cinema. Você não precisa assistir A caixa para se divertir.