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30 maio 2010

Aerosmith – Hits e blues

Aerosmith - Palestra Itália Foto: Daigo Oliva/G1

O Aerosmith é daquelas bandas que já se tornaram atemporais. O público que lotou o Palestra Itália ontem, em São Paulo, era composto em sua grande maioria por pessoas que nasceram bem depois do Aerosmith começar a tocar junto. Mas os hits desfiados pela banda ao longo da apresentação mais pareciam um retrato da geração que nasceu nos anos 80 e 90.

A primeira metade do show apresentou grandes sucessos como Love in Elevator, Pink, Dream On, Living on the Edge, Jaded, Crazy e Cryin'. Todas cantadas por uma plateia hipnotizada, capaz até de gritar "Lindo!" para o Steven Tyler. E tal como um time de futebol que faz a vantagem no primeiro tempo, a banda resolveu administrar o resultado.

A partir daí, os músicos começaram a se divertir mais que o público. Tocando covers de blues, solos de bateria, de guitarra, de baixo, de teclado, de guitarra de novo, música cantada à capela. Com 40 anos de carreira, cada artista merece o seu momento de estrela. E nesses momentos, a idade indicou ser um diferencial - os músicos demonstraram total domínio dos seus instrumentos, e justificaram tantos anos de sucesso. Enquanto isso, o público foi esfriando.

Um duelo de Joe Perry real contra o Joe Perry do jogo Guitar Hero mais pareceu um merchandisig embutido no show do que uma atração em si. Foi o único momento em que uma intéprete apareceu no palco - afinal, a propaganda do jogo deve ser entendida por todos!

Um ponto interessante é que a banda, mesmo num estádio, não recorreu à pirotecnia e efeitos especiais. Com 3 telões que eventualmente mostravam um videoclipe, o que importava eram os músicos. E a música.

É natural que os fãs sintam falta de algumas canções. Isso acontece em qualquer show, de qualquer banda. Ainda assim, pareceu injustificável a ausência de I Don't Want To Miss a Thing, tema do filme Armageddon. Pode não ser a melhor balada do grupo, mas foi um cartão de visitas da banda no começo da última década e certamente muitos dos jovens presentes conheceram a banda por meio dela.

Apesar de tantos percalços, o Aerosmith fez um mega show. A presença de palco do vocalista Steven Tyler impressiona, e ele sabe como se comportar num estádio. Sabendo que quem está longe não pode vê-lo bem, ele interagia com as câmeras  para que todos apreciassem sua performance.

É um show indispensável para quem gosta de rock and roll. E a banda, com os boatos de separação sempre presentes aliada à idade dos integrantes parece uma bomba relógio prestes a explodir. E quando isso acontecer, eu vou poder falar: "Aerosmith: eu fui!"

23 maio 2010

Bonfires, de Rosie and Me

Curitiba tem aparecido com boas surpresas no rock nacional. Nos últimos meses já despontaram a Banda Gentileza, Copacabana Club e os Sabonetes. A maior promessa do indie rock nacional de 2010 também é de lá e atende pelo nome de Rosie and Me.

O trio acaba de lançar o clipe de Bonfires, destaque do EP Bird and Whale.  No vídeo, um passeio de bicicleta culminando num piquenique. Clima campestre, bem folk. Clique na miniatura para assisti-lo no Youtube.

No site da banda, há uma seção com o que foi publicado até agora sobre eles. Curioso notar que há mais referências estrangeiras que brasileiras. Isso não é consequência apenas do fato de cantarem em inglês. Quer dizer que a música que fazem tem potencial pra atingir o mundo inteiro!

Recomendado para quem gosta de She & Him, Belle and Sebastian, Mallu Magalhães.

Brisingr, o grande RPG de Christopher Paolini

Quando Christopher Paolini começou a escrever o que seria uma trilogia iniciada por Eragon, aos 15 anos de idade, provavelmente não tinha ideia do sucesso que a série iria se tornar.

Brisingr Em Eldest, segundo volume da série, percebe-se uma evolução enorme do autor e história adquire um ritmo empolgante.

Na série, os rumos que a trama tomam parecem muito os de uma campanha de RPG. Percebe-se a evolução natural do personagem, ele adquire novas habilidade e “pontos de experiência”. E tudo parece não caminhar para um final: é uma grande sequência de acontecimentos, muitas aventuras acontecem no decorrer da história.

Ao final das 700 páginas de Brisingr, a história não termina. Paolini prometeu mais um volume para concluir o Ciclo da Herança – nome pelo qual a série passou a ser conhecida quando deixou de ser uma trilogia.

Tudo indica que o autor tem um grande desfecho em mente, e caminhamos pra ele. Mas até lá, há inúmeros acontecimentos, e o leitor não consegue saber qual sua posição em relação ao final da trama. É como jogar RPG, não pensamos no fim da história, o objetivo é exatamente o contrário: que ela se estenda indefinidamente.

É claro que isso não é um problema. Paolini consegue prender a leitura e te entreter durante toda a sua aventura. Sabendo que o quarto volume vai ser o último cria-se o desejo que ele tenha 2000 páginas para podermos acompanhar muito mais desafios do cavaleiro Eragon.

E mesmo que publicasse um quinto livro – o que aparentemente está fora dos planos e poderia ser rotulado como caça-níquel – eu iria achar bom. Eragon tem potencial para mais inúmeras aventuras.

16 maio 2010

Gregório entrevista Serginho Mallandro

Na festa da Vacaiada, organizada pelo 8º período da veterinária da UFMG, tive a oportunidade de entrevistar o astro Sérgio Mallandro.

Durante os quase 4 minutos da conversa, Serginho falou sobre a Vacaiada, loucuras, de fãs, Viagra, Massacration, relembrou o Rap do Ovo e comentou sobre os planos para o futuro.

Imperdível!

09 maio 2010

Keane – Night Train

O Perfect Simmetry, de 2008, trouxe uma grande mudança de sonoridade ao Keane, principalmente pela inclusão de guitarras – as melodias dos álbuns anteriores eram calcadas principalmente no piano. As novidades do álbum agradaram, e Perfect Simmetry foi um dos melhores discos do ano.

Keane - Night Train Há muito sem lançar músicas inéditas, o Keane anunciou o lançamento do EP Night Train, à venda a partir de amanhã.

São apenas 8 músicas, mas amenizam a espera por mais um álbum completo de estúdio.

A primeira faixa, House Lights é curtinha, apenas uma introdução intrumental que só faz sentido ser ouvida quando você coloca o disco pra tocar do início ao fim.

O grande diferencial são as estranhas participações especiais. O rapper K’naan participa de duas faixas: Stop for a minute, um single altamente radiofônico e Looking Back, que remete ao filme Rocky! Por mais que pareça estranho um cantor de rap num disco do Keane, a colaboração funcionou bem nas músicas.

O maior destaque fica em Ishin Denshin (You've Got To Help Yourself), com participação da funkeira japonesa Tigarah. Iniciada por um barulho de modem de internet discada (!) e repleta de influências do J-pop, a música se tornou a minha preferida.

Back in Time, Clear Skies e My Shadow são canções que apresentam pouca novidade se comparadas aos discos anteriores da banda, mas não se destacam.

Your Love traz o pianista Tim Rice-Oxley ao vocal, e ele cumpre bem a missão.

O EP Night Train agrada, mas não surpreende. Traz uma sonoridade diferente à banda principalmente por causa das participações especiais. É coisa pra fãs.

P.S.: Tentei ouvir um disco da Tigarah, pois adorei a voz dela. Mas como eu disse, ela canta funk e o CD dela tem participação da Deize Tigrona. É ruim. Um talento desperdiçado, mas que o Keane conseguiu extrair o potencial!

08 maio 2010

Alice, o mangá

Alice no país das maravilhas - Sakura Kinoshita - Mangá Newpop

Alice no país das maravilhas já foi recontada e reinventada uma infinidade de vezes. Com o recente lançamento do filme de Tim Burton, a editora NewPOP aproveitou pra colocar nas bancas o mangá homônimo, de autoria de Sakura Kinoshita.

Embora só tenha saído no Brasil agora, ele foi lançado no Japão em 2007 – o que de antemão elimina as críticas que poderiam tratá-lo como oportunista.

O mangá, ao contrário das duas adaptações para o cinema da Disney,  é muito fiel ao livro. Alice segue a linha do livro de Lewis Carroll, com a mesma sequência de acontecimentos. A maior liberdade criativa da autora foi mudar o visual de Alice (roupa e cabelo) a cada capítulo.

Mas as 64 páginas de quadrinhos parecem ser pouco para contar a história. Fica tudo muito resumido, e as coisas acontecem muito rápido. Talvez quem não conheça a história deixe alguns detalhes passarem em branco.

Os desenhos são bonitinhos e muito agradáveis de se ver. No entanto, o traço da mangaka dá a impressão de “já vi isso antes”. O resultado final dá uma sensação de vazio é tudo muito previsível e sem inovações.

Ao final da história, há 15 páginas de “extras”. Esboços, textos e curiosidades sobre o processo de criação. Interessante para quem quer se tornar um autor e para os que são apenas curiosos.

A edição nacional ficou muito caprichada, méritos da NewPOP editora. Embora seja vendida em bancas, tem acabamento de livro. Todo colorido, capa cartonada com orelhas e borda quadrada. E o preço, de R$12,00 é bem acessível pela qualidade gráfica.

É um bom mangá, rende 20 minutos de diversão. Mas se tiver que priorizar seus gastos, é melhor investir numa revista do Lanterna Verde.

Leia também:

Alice, de Tim Burton

Aventuras de Alice no País das Maravilhas

01 maio 2010

O iê iê iê de Arnaldo Antunes

Iê Iê Iê é o melhor e mais acessível álbum da carreira de Arnaldo Antunes. Fui conferir se o show era tão bom quanto o disco na última quinta-feira, no SESC de Taubaté.

Setlist Arnaldo Antunes - SESC Taubaté

Arnaldo Antunes faz um show de rock pra quem cresceu – mas ainda assim um show de rock. “Pois ser eternamente adolescente, nada é mais demodé”, como canta na ótima Envelhecer.

E um show de rock pra adultos é um show onde as pessoas cantam junto, mas prestam mais atenção na banda que nas pessoas que estão à sua volta (sem trombar em ninguém), onde seus filhos podem ir junto (mesmo que seja só porquê você não tem um lugar pra deixá-los) e onde o cantor pode descer do palco e cantar no meio da plateia sem ser despido ou agarrado.

Uma surpresa pra muitos é encontrar Edgard Scandurra na guitarra. Ele é mais que um músico de apoio, e praticamente divide o show com o cantor. É daqueles guitarristas que consegue puxar os holofotes pra si e arrancar aplausos expontâneos com seus riffs e solos.

Todas as músicas de Iê Iê Iê foram tocadas, e funcionam muito bem ao vivo. Com uma carreira tão longa, tocar um novo álbum na íntegra pode parecer uma aposta arriscada. Entretanto, Iê Iê Iê tem canções tão agradáveis, com um clima de “eu acho que já ouvi isso antes e gostei” que na primeira audição conquista o ouvinte.

Arnaldo Antunes tem uma presença de palco cativante, um jeito louco de dançar (porquê ser louco é legal), uma voz característica e uma banda super competente. Aliado à ótimas letras e melodias, compõe um dos melhores shows nacionais dos últimos anos.

Arnaldo só não tem costeletas. Nunca teve.