Pular para o conteúdo principal

A volta do vinil e a morte do CD

(e é tudo culpa do MP3)

Enquanto as vendas de CDs caem a cada dia, o disco de vinil voltou a figurar nas prateleiras das lojas e nas coleções dos apreciadores de música. E minha coleção de vinil, que inclui discos comprados em sebos a preço de banana e lançamentos recentes que sequer chegaram a sair em CD,  cresce a cada dia.

Discos de vinil

Dizer que o som análogico é melhor pra mim é balela. Que é pior, também. São diferentes, e o som depende muito do equipamento que você está utilizando pra reproduzir. E eu não acredito que eu tenha um ouvido sensível a ponto de escolher a mídia assim.

Falar que é saudosismo seria mentira. O único LP que eu tive nos primeiros 25 anos da minha vida foi do Bozo. E em casa eu ouvia algumas histórias da coleção “Disquinho” também. Saudosismo pra mim seria voltar a comprar fitas K7 – essas eu tive aos montes.

Pra mim as grandes vantagens do CD quando esse tipo de mídia surgiu eram a facilidade de se escolher a música a ser ouvida (apertando apenas um botão!) e a portabilidade, que permitia carregar uma quantidade grande de músicas num item relativamente pequeno. Com a popularização do MP3, isso deixou de ser vantagem. Hoje há aparelhos sonoros com entradas USB, SD e que sequer tocam CDs.

E é aí que entra o vinil novamente. Para alguém que valoriza uma coleção de discos, que gosta de ter o material fisicamente, o LP é muito mais atrativo. É maior, mais bonito, e exige um pouco mais de cuidado para a sua reprodução – e consequentemente você acaba dando um valor maior ao disco. Como item de coleção o vinil é muito melhor. Pra quem não liga pra coleções, o MP3 é mais do que o suficiente. Some a isso o fato de que boa parte dos lançamentos recentes em vinil contém um código para download em MP3, e a morte do CD passa a ser eminente.

Não creio que o vinil volte a ter a popularidade de duas décadas atrás. O MP3 já revolucionou o mercado municipal e parece não ter adversários à altura. Mas eu ainda prefiro uma coleção de discos bonita a um HD cheio de arquivos musicais.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os patos de Patópolis e o Pato Fu

Recentemente, enquanto lia uma revista do Ducktales (os caçadores de aventuras, todos eles são grandes figuras), me deparei com um quadrinho onde o Capitão Bóing fazia uma ameaça aos seus adversários invocando o poder do Pato Fu (ou seja, o kung fu dos patos). Achei a referência divertida, postei no Twitter, a própria banda retweetou a publicação, mas achei que era um caso isolado.


Pra quem conhece a história da banda, o uso desses termos faz todo sentido. O nome Pato Fu foi inspirado em uma tira do Garfield onde ele lutava Gato Fu.


Normalmente esse tipo de referência é chamado de "easter egg", termo em inglês para ovo de páscoa. É uma surpresa escondida na narrativa (seja ela em quadrinhos, prosa, cinema etc) que não tem influência na história. Assim, quem conhece a referência acha interessante, se diverte um pouco mais e pra quem não conhece a vida continua como se nada tivesse acontecido.

Algumas semanas depois, lendo o volume "A Cidade Fantasma", da coleção do…

O custo de um carro popular é muito maior do que você pensa (uma história real)

Nunca tive o sonho de comprar um carro, até mesmo porque nem gosto de dirigir fora do videogame. E como até pouco tempo atrás eu tinha transporte da empresa para o trabalho, comprar um carro seria um capricho muito caro e desnecessário. Até que voltei para Belo Horizonte e senti a necessidade de comprar um automóvel para ter um pouco mais de conforto. Comprei meu primeiro carro em maio de 2014.

Em 30 meses e pouco mais de 43.000 km rodados, o meu carro gerou um custo mensal de R$1407,02.


Esse valor não inclui o valor que paguei no automóvel, ele refere-se apenas a gastos realizados que não poderão ser repostos com a venda do carro. Pode até parecer um valor muito alto, mas ele foi rigorosamente calculado e pode surpreender os desavisados.

E veja só, meu carro não é extravagante: é um Volkswagen up! com a maioria dos opcionais. Tem motor 1.0, consome muito pouco combustível e a manutenção é relativamente barata. É que mesmo um carro popular pode sair muito caro.

R$27.044,14 com despesas …

As notícias falsas que confundiram o público da Campus Party MG

Tive o prazer de ministrar uma palestra na última edição da Campus Party em MG com o tema "Fake News - Como viver num mundo de mentiras". Em breve, essa palestra estará disponível no YouTube e, assim que tiver o link, compartilho com você.



No início da minha apresentação, mostrei algumas notícias e pedi para o público preencher um questionário avaliando se cada publicação era verdadeira ou falsa. TODAS eram falsas, por mais convincentes que parecessem.

O público da Campus Party é jovem e ligado em tecnologia, o que poderia nos levar à hipótese de que estariam mais antenados e conseguiriam identificar o que realmente aconteceu. Os resultados foram um pouco diferentes.

A primeira notícia falava que o plantão da Globo nos atentados de 11 de setembro interromperam um episódio de Dragon Ball Z. 44% do público estava convencido de que isso era verdade. Esse é um caso curioso, pois é muito comum encontrarmos pessoas que afirmam se lembrar do ocorrido, mas essa é uma espécie de memória…