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22 fevereiro 2011

Radiohead e a música como forma de arte

thekingoflimbs

Com a popularização do MP3 e dos tocadores portáteis como o iPod, a maneira das pessoas consumirem música mudou completamente. O conceito de “álbum” como um trabalho que tenha uma sequência lógica e conceitual de músicas está cada vez mais distante da maioria do público, que prefere ouvir faixas avulsas, às vezes sem nunca ter visto o disco que está ouvindo fisicamente.

Para a música pop descartável, essa mudança poderia ser até interessante, se não fosse a queda vertiginosa das vendas de discos. Nos anos 90 era comum uma banda ser obrigada a ser lançada vários discos em sequência, muitas vezes com uma ou duas canções razoáveis e o consumidor era obrigado a comprar o disco inteiro. Ou então comprar o CD da trilha sonora da novela.

O clássico álbum OK Computer, do Radiohead foi lançado em 1997 e ironicamente prevê o advento do MP3. É como se ele dissesse: “OK, computador, você venceu”. Para muitos críticos, ele marca o início da morte dos discos. Mas o Radiohead, como de costume, tenta ditar tendências e remar contra a maré.

Em 2007, com o mercado numa crise cada vez maior, a banda encerrou seu contrato com a gravadora e lançou o álbum In Rainbows de forma independente, cobrando do fã apenas o que ele estivesse disposto a pagar pela versão em MP3. Mesmo que não fosse nem um centavo. Ainda havia uma versão em CD, e um vinil duplo, com músicas exclusivas.

Pouco mais de 3 anos depois, o Radiohead inovou mais uma vez. Na última semana começou a pré-venda do que eles estão chamando de “first newspaper album”, ou primeiro álbum de jornal. Ainda não se sabe o que exatamente virá nesse pacote. O que está certo é que ele inclui 1 CD, 2 vinis, várias folhas com desenhos, 625 pedacinhos de papel e um tipo de plástico para juntar tudo isso. A partir de maio as pessoas vão começar a receber o pacote, mas já é possível baixar o disco em MP3 pelo site The King of Limbs.

Nesse caso, a música já está disponível, mas para a banda, o trabalho não se resume a isso. Qualquer um pode simplesmente ouvir o single Lotus Flower e parar por aí. Mas todo esse material adicional, serve para complementar a obra. E os discos de vinil são para resgatar o ritual de se escolher colocar uma música para ouvir e ouvir na ordem em que os autores esperam que você escute (ou pelo menos, ter um pequeno trabalho pra mudar de faixa), ao contrário de simplesmente colocar o iPod na função shuffle e alternar músicas do Radiohead com Capital Inicial e Bonde do Tigrão.

Assim, o trabalho não se resume a 40 minutos de MP3 para serem ouvidos, apagados e esquecidos. Difícil responder qual será o impacto do newspaper album no mercado. Talvez nenhum. O importante é que um álbum assim retoma a música como forma de arte, conceito que ela nunca devia ter perdido. 

04 fevereiro 2011

Coleção Tim Maia

Se você passou por uma banca de revistas nos últimos dias deve ter visto alguma propaganda da Coleção Tim Maia, que está sendo lançada pela Editora Abril. Já estão à venda os dois primeiros volumes.Coleção Tim Maia - Volumes 1 e 2

A coleção traz a cada semana um pequeno livro de capa dura com 48 páginas, com um disco encartado do cantor. A edição está bastante caprichada: cada livro descreve o momento da carreira do cantor à época do lançamento original do álbum e traz pequenas notas citando acontecimentos que contextualizam a época.

O capricho no livro, no entanto, não se refletiu na embalagem do CD.O disco vem dentro de um envelope fajuto colado na contracapa do livro, feio e pouco prático.

Coleção Tim Maia - Disco

Farão parte da coleção 15 álbuns do cantor, incluindo até mesmo os renegados discos Tim Maia Racional Volumes 1 e 2. Os álbuns “proibidos” foram gravados quando Tim Maia se converteu à cultura racional e suas letras tem como objetivo uma espécie de lavagem cerebral. Imagine uma música com o título “Leia o livro Universo em Desencanto”. Ela existe.

Curiosamente, a fase “racional” é uma das mais elogiadas – e minha preferida (embora eu não conheça a discografia do cantor a fundo). O grande chamariz da coleção, inclusive é o disco Tim Maia Racional Volume 3, nunca lançado. Detalhe: ele não estará à venda, é um brinde para quem comprar a coleção inteira.

O preço está bastante razoável: o primeiro volume custa R$7,90 e cada um dos subsequentes tem o preço de R$14,90. É uma grande oportunidade para conhecer um dos maiores astros da música popular brasileira e entender os motivos dele vender mais discos que seus colegas de gravadora no auge do sucesso.

Tim Maia era meio maluco mas era muito bom. E a Coleção Tim Maia ajuda a preservar o legado musical do maior cantor brasileiro de soul em todos os tempos.