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31 março 2011

Aniversário

(inspirado numa história real)

Já estavam juntos há muito tempo e o casamento aos poucos acabou com o romantismo. Faltava uma semana para o aniversário dela e ele tentava reacender a paixão.

- Meu amor, poderíamos comemorar seu aniversário naquele motel que a gente ia quando éramos namorados.

Na véspera do aniversário, a família estava reunida. O casal, a filha, irmãos, pais, cachorro e quem mais pudesse ter alguma relação de parentesco. Até que a garotinha de 3 anos resolve falar para todos algo que ela tinha ouvido em casa:

- Papai, amanhã a gente vai comemorar o aniversário da mamãe no motel, né?

24 março 2011

A tia e o telefone

Apesar do pique para festas e até shows de rock, minha tia já tem idade pra pegar fila preferencial e andar de ônibus de graça.

Dia desses, liguei pra ela e conversei durante um bom tempo. Na hora de nos despedimos, ela demonstrava preocupação, e acabou se abrindo comigo:

“Gregório, desde que você me ligou estou procurando meu telefone celular. Já revirei os armários, sofá, todos os cantos da casa e não encontrei.”

Não me contive: “Deve ser porque ele está no seu ouvido…”

Ela ficou meio sem graça, mas riu no final. Eu ri mais.

13 março 2011

Aline, dos quadrinhos para a TV

(e para a lista de séries canceladas)

Aline  - Fantasias UrbanasEu tinha uns doze anos, e diariamente recortava minhas tiras preferidas das páginas da Folha e do Estado de São Paulo pra colar em um dos meus cadernos de tiras. Uma de minhas favoritas tinha o título “Big Bang Bang”. Escrita e desenhada por Adão Iturrusgarai, trazia as aventuras de Aline e seus dois namorados. Ousadas, surreais, exageradas, as tiras me divertiam à beça. Cheguei a comprar três livros de coletâneas, que foram lidos e relidos diversas vezes.

Quando as tiras foram adaptadas para a TV, em 2009, achei o máximo. A versão da Rede Globo era uma versão extremamente diferente dos quadrinhos, bem mais leve, com menos sexo, menos drogas e menos qualquer outra coisa que pudesse chocar a conservadora sociedade brasileira – exceto o fato dela ter dois namorados. Ainda assim, muito divertida.Aline e seus dois namorados

Em 2011, uma segunda temporada começou a ser transmitida, mas depois do quarto episódio, o seriado foi cancelado. De acordo com o que foi divulgado pela Rede Globo, o motivo foram os baixos índices de audiência. De acordo com o criador da personagem, Adão Iturrusgarai, a série incomodava alguns setores mais conservadores da Globo.

É uma grande injustiça. Chega a ser irônico – e contraditório - a série ser cancelada e a emissora rechear toda a sua programação com mulheres peladas no carnaval, e ainda considerar toda a baixaria do Big Brother um programa para a família.

Há mais três episódios gravados, que bem que poderiam sair em DVD – assim como todo o resto da série. Coloca um selinho +18 na embalagem que tá resolvido.

A parte triste disso tudo é que com o cancelamento da série, a Globo voltou à mesmice sem graça de sempre. E pra mim, vai continuar sem ser sintonizada – como costumava ser.

08 março 2011

Super-heróis, videogame e os hits do carnaval

Todo carnaval é assim: uma música é escollhida como hit e é tocada à exaustão em todos os lugares que concentrem foliões. Isso não quer dizer que essa música seja boa, muito pelo contrário: usualmente ninguém lembra mais dela depois que passa o carnaval, e se lembra não gosta mais.

Interessante notar que a temática dessas músicas está mudando, mostrando uma influência cada vez maior dos nerds na sociedade.

O atual hit do carnaval e candidato ao ostracismo em 2012 é o super sucesso Liga da Justiça, da banda Levanóiz.

A letra é conceitualmente falha, e cita os inimigos do Batman atacando Superman e Mulher-Maravilha. Trata os heróis como um casal, e como se não houvesse mais ninguém na Liga.

No entanto, por mais que a letra fosse fiel aos conceitos das personagens, dificilmente os nerds iriam aprovar – e eles nunca foram o público-alvo da canção. O que importa são os axezeiros felizes, e nesse ponto a música cumpriu sua missão – até porquê a letra é o que menos importa – se o tema fosse bunda ou qualquer outra coisa o resultado seria o mesmo.

Fora do circuito de Salvador, e direto do Triângulo Mineiro, onde o forte é o sertanejo, surgiu nas últimas semanas a Dança do Street Fighter, da dupla Mantena e JP.

O primeiro clipe trouxe Ryu e Ken dançando no cenário do jogo e fez tabto sucesso no Youtube que gerou uma nova versão, com Chun Li, Guile e Sagat.

Por mais que os cantores tentem se levar a sério, tudo é muito nonsense. A letra traz termos comuns nas locadoras de videogame, como “alecful” e “cybercop”, pronúncias para quem não conseguia entender que os lutadores falavam “sonic boom” e “uppercut”.

Por último, mas não menos importante, direto da região Norte a Banda Beija-Flor e DJ NInja apresentaram ao mundo a música Come Come, um tecnobrega que homenageia Pacman e cita Street Fighter e Mortal Kombat.

Ninguém precisa saber que Pacman é jogo pra um jogador só.

O mais interessante de tudo isso é a recepção do público. Há pessoas que levam tudo a sério, alguns acham as letras fantásticas e originais e pra muitos tudo não passa de uma grande piada.

Eu acho isso tudo muito engraçado. Mas não me faça ouvir as músicas novamente, porque uma piada só tem graça na primeira vez que você ouve!