Pular para o conteúdo principal

The Vaccines, finalmente no Brasil

Falar que uma banda que apareceu pro mundo só ano passado “finalmente” vem ao Brasil pode parecer exagero, mas nesse caso não é.

O The Vaccines tinha participação confirmada no Planeta Terra Festival no ano passado, mas infelizemente cancelou sua apresentação. Naturalmente, fiquei frustrado: foi uma das bandas que mais ouvi em 2011.

Pra compensar o cancelamento (e pra encher o bolso de dinheiro também), a banda confirmou dois shows no Brasil no mês de abril. A venda de ingressos começou hoje, e pouco mais de meia-hora depois, o primeiro lote constava como esgotado no site. Seria minha segunda frustração?

Algumas horas depois, consegui garantir meu ingresso. Eles ainda não estão com essa bola toda de esgotar tudo em uma hora, mas se eu fosse você já comprava sua entrada! Agora é esperar até abril.The Vaccines Reproduzo na sequência a resenha que fiz para o álbum de estreia da banda, What Did You Expect From The Vaccines?, publicada originalmente no site Discopops em março do ano passado.

“Não vi nenhum texto sobre a banda The Vaccines sem a palavra hype, e já a inseri no meu na primeira frase. Os ingleses têm sido apontados como a maior promessa do rock para 2011 desde o ano passado, quando suas primeiras músicas começaram a circular na internet, e acabam de lançar seu primeiro álbum. What Did You Expect From The Vaccines? é um dos títulos de discos mais originais a surgir nos últimos anos e é absolutamente adequado à situação da banda. Dependendo do que você esperava dos Vaccines, o álbum pode te surpreender ou te decepcionar.

Não poderia haver cartão de visitas melhor que a primeira faixa, "Wreckin' Bar (Ra Ra Ra)". Dançante e contagiante, resume em 1 minuto e 22 segundos o que há de melhor na banda. No entanto, sua curta duração cria uma sensação de coito interrompido – e dá vontade de colocar a canção no modo repeat. Aliás, ao observar o tempo total de cada uma das músicas, tem-se a impressão de que na verdade é um disco de punk rock.

"If You Wanna", que poderia ser confundida com uma música do Kaiser Chiefs, continua o ritmo de festa indie até a desaceleração de uma trinca de baladas. "A Lack of Understanding", "Blow it Up" e "Wetsuit" são canções marcadas pela melodia, para tocar em rádios e novelas, mas sem perder sua cerne roqueira. É o indie acessível para o mundo pop.

"Norgaard" é mais uma das canções que vão direto ao ponto e fazem você acreditar na salvação do rock em menos de dois minutos – embora eu nunca tenha acreditado que o rock precisasse ser salvo. E se o The Vaccines tem um hit, é "Post Break-Up Sex", ponto alto do disco, com potencial para ser a mais cantada pela plateia nos concorridos shows da banda. "Under Your Thumb" é uma música que você fica esperando começar, mas quando percebe, ela já está acabando. Parece uma introdução para a música seguinte, "All In White", a primeira a ultrapassar quatro minutos e que conta com o maior trecho instrumental do disco. Pra terminar, ainda tem a agitada "Wolf Pack" e a melancólica "Family Friend", que dá ao final do disco um clima completamente oposto ao seu início.

Chega a ser injusto exigir de uma banda nova que se grave uma obra-prima logo no primeiro álbum. Com todos os holofotes voltados para o grupo, o The Vaccines conseguiu segurar o hype e lançou um disco coeso, original e muito bom. Certamente What Did You Expect From The Vaccines? entrará em diversas listas de melhores do ano ao final de 2011, mas também se ausentará de algumas. E, sim, eles justificam o hype. The Vaccines é a melhor banda a lançar seu LP de estreia em 2011. Pelo menos até o momento.”

Como previ, o disco entrou em diversas listas de melhroes do ano, inclusive a do Move That Jukebox, que participei da votação. Se você ainda não ouviu, é uma boa oportunidade pra conhecer a banda e ser convencido a ir aos shows!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os patos de Patópolis e o Pato Fu

Recentemente, enquanto lia uma revista do Ducktales (os caçadores de aventuras, todos eles são grandes figuras), me deparei com um quadrinho onde o Capitão Bóing fazia uma ameaça aos seus adversários invocando o poder do Pato Fu (ou seja, o kung fu dos patos). Achei a referência divertida, postei no Twitter, a própria banda retweetou a publicação, mas achei que era um caso isolado.


Pra quem conhece a história da banda, o uso desses termos faz todo sentido. O nome Pato Fu foi inspirado em uma tira do Garfield onde ele lutava Gato Fu.


Normalmente esse tipo de referência é chamado de "easter egg", termo em inglês para ovo de páscoa. É uma surpresa escondida na narrativa (seja ela em quadrinhos, prosa, cinema etc) que não tem influência na história. Assim, quem conhece a referência acha interessante, se diverte um pouco mais e pra quem não conhece a vida continua como se nada tivesse acontecido.

Algumas semanas depois, lendo o volume "A Cidade Fantasma", da coleção do…

As notícias falsas que confundiram o público da Campus Party MG

Tive o prazer de ministrar uma palestra na última edição da Campus Party em MG com o tema "Fake News - Como viver num mundo de mentiras". Em breve, essa palestra estará disponível no YouTube e, assim que tiver o link, compartilho com você.



No início da minha apresentação, mostrei algumas notícias e pedi para o público preencher um questionário avaliando se cada publicação era verdadeira ou falsa. TODAS eram falsas, por mais convincentes que parecessem.

O público da Campus Party é jovem e ligado em tecnologia, o que poderia nos levar à hipótese de que estariam mais antenados e conseguiriam identificar o que realmente aconteceu. Os resultados foram um pouco diferentes.

A primeira notícia falava que o plantão da Globo nos atentados de 11 de setembro interromperam um episódio de Dragon Ball Z. 44% do público estava convencido de que isso era verdade. Esse é um caso curioso, pois é muito comum encontrarmos pessoas que afirmam se lembrar do ocorrido, mas essa é uma espécie de memória…

Quanta inovação pode conter um chinelo?

Não, eu não vou falar das Havaianas. A história da fabricante de chinelos brasileira que coloriu seus chinelos (que eram) feiosos e passou a ser um ícone da moda mundial já foi suficientemente explorada como exemplo de inovação no mundo dos negócios.

Eu vou falar é da Florine Chinelos, marca bem menor, mas com um produto interessantíssimo e um potencial de crescimento tremendo. Conheci a história da empresa em uma palestra de Alexandre Robazza, do SEBRAE SP.


Parece bucha de banho, né? Mas na verdade é o mesmo material utilizado para fazer tapetes. Aliás, o chinelo foi criado numa fábrica de tapetes.
Incomodado com as tiras que sobravam na fabricação dos tapetes, o criador do produto Carlos Gasparini, buscava alguma utilidade para os retalhos, até que um dia teve a ideia de fazer um chinelo. Após várias tentativas e com o protótipo em mãos, foi procurar o SEBRAE.
Com o apoio do SEBRAE, patenteou o produto, registrou a marca e começou a produção. Claro que não foi da noite para o dia, h…