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Belle and Sebastian, 2 anos depois

Já tem uns 12 ou 13 anos que acompanho o Belle and Sebastian. Conheci a banda na finada revista Bizz, baixei umas músicas pelo Napster e depois comprei algumas dezenas de discos do grupo (dezenaS, no plural mesmo).

A única vez que tive a oportunidade de ver a banda ao vivo foi há exatamente dois anos, no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Até hoje nenhum show, de nenhuma banda, superou esse dia pra mim. Setlist impecável, público participativo, e ainda subi no palco (o vídeo tá lá embaixo)!

Na época escrevi um texto sobre o show para o Disco Pops, que reproduzo a seguir para recordar.

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Os indies cariocas, cansados de perderem oportunidades de assistirem a suas bandas favoritas na sua cidade, se mobilizaram e garantiram o show do Belle and Sebastian no Rio de Janeiro antes mesmo da turnê latino-americana ser anunciada. Por meio do site Queremos Belle and Sebastian no Rio, 140 voluntários e 3 patrocinadores arrecadaram dinheiro suficiente para garantir o show da banda mais fofa dos últimos anos. Ou de todos os tempos...

O lugar não poderia ser melhor: Circo Voador, grande o suficiente para permitir um público numeroso e pequeno o suficiente para que todos fiquem próximos à banda e sintam-se parte do espetáculo. Ingressos esgotados e muita expectativa antecederam o segundo show dos escoceses na cidade maravilhosa. Com meia hora de atraso, a banda entoou os primeiros acordes de "I Didn’t See It Coming", faixa de abertura do novo LP da banda, Write About Love. Não parecia que a música tinha sido lançada há apenas um mês, tamanho o coro do público. O primeiro verso dessa canção, “make me dance, I want to surrender”, evidenciou a intenção dos presentes na noite: se render ao show dos precursores do twee pop.

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Longe da melancolia do início de carreira, o Belle and Sebastian engatou uma sequência dançante com "I’m A Cuckoo" e "Step Into My Office, Baby", acompanhadas efusivamente pela plateia. Na clássica "Like Dylan In The Movies", a banda disputou com público o título de quem cantava mais alto - e perdeu. Stevie Jackson virou o frontman por um instante, e cantou "I’m Not Living At The Real World", pouco antes de Stuart Murdoch roubar a cena mais uma vez e cantar "Piazza, New York Catcher" sentado na beirada do palco.

Quando o vocalista perguntou aos presentes quem estava os assistindo pela primeira vez, a maior parte da plateia se manifestou. Isso pode justificar o fato de poucas pessoas aparentarem conhecer o b-side "Loneliness Of A Middle-Distance Runner". Por outro lado, mostra que novos fãs não param de surgir, e cantam músicas recentes como "I Want The World To Stop" como se fosse uma velha conhecida.

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Em "Sukie In The Graveyard", uma fã foi convidada a subir no palco e dançar com a banda, causando inveja nos presentes. Depois do rock dançante, a emocionante "Lord Anthony" fez muito marmanjo chorar. Mas a maior emoção da noite foi o momento inusitado em que um rapaz entregou um cartaz para a banda com um pedido: queria que perguntassem à sua namorada se ela casaria com ele. Luísa disse “sim” à Rafael com a bênção do Belle and Sebastian, que chegou a entoar um trecho da marcha nupcial.

Tal como um bardo numa taverna medieval, Stevie puxou o coro de "Wrong Girl" e emendou com "(I Believe In) Travelling Light". Nas canções seguintes, "Dear Catastrophe Waitress", "Write About Love" e "Dirty Dream #2", o público já estava em estado de êxtase, mas a banda ainda preparava uma grande surpresa. Em "The Boy With The Arab Strap", cinco felizardos subiram ao palco para dançar com a banda, e ao final da canção foram condecorados. Cada um recebeu uma emblemática medalha, com os dizeres “I Made It With Belle and Sebastian” gravados.

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Em "If You Find Yourself Caught In Love", Stuart se teleportou para o segundo andar do Circo e ficou no meio pessoal. Perto do fim, "Judy and The Dream of Horses" e "Sleep The Clock Around" animaram os fãs novos e antigos. O bis foi iniciado por "The State I Am In", única canção do álbum de estreia da banda presente no show. "Another Sunny Day" evindenciou a fase menos melancólica e mais “ensolarada” da banda. Stuart quis que Bob Kildea a cantasse, pois não lembrava da letra. Mas ele lembrou. O show foi encerrado com "Get Me Away From Here, I’m Dying", cantada como se fosse a última canção do mundo, por um público que não queria que o show terminasse.

No dia seguinte, Stuart disse no site oficial da banda que a apresentação no Circo Voador foi um dos melhores shows da banda de todos os tempos. Se é assim, então que eles não demorem tanto a voltar ao Brasil para que este comentário seja refeito outras várias e várias vezes...

 

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