Pular para o conteúdo principal

Belle and Sebastian, 2 anos depois

Já tem uns 12 ou 13 anos que acompanho o Belle and Sebastian. Conheci a banda na finada revista Bizz, baixei umas músicas pelo Napster e depois comprei algumas dezenas de discos do grupo (dezenaS, no plural mesmo).

A única vez que tive a oportunidade de ver a banda ao vivo foi há exatamente dois anos, no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Até hoje nenhum show, de nenhuma banda, superou esse dia pra mim. Setlist impecável, público participativo, e ainda subi no palco (o vídeo tá lá embaixo)!

Na época escrevi um texto sobre o show para o Disco Pops, que reproduzo a seguir para recordar.

P1000386

Os indies cariocas, cansados de perderem oportunidades de assistirem a suas bandas favoritas na sua cidade, se mobilizaram e garantiram o show do Belle and Sebastian no Rio de Janeiro antes mesmo da turnê latino-americana ser anunciada. Por meio do site Queremos Belle and Sebastian no Rio, 140 voluntários e 3 patrocinadores arrecadaram dinheiro suficiente para garantir o show da banda mais fofa dos últimos anos. Ou de todos os tempos...

O lugar não poderia ser melhor: Circo Voador, grande o suficiente para permitir um público numeroso e pequeno o suficiente para que todos fiquem próximos à banda e sintam-se parte do espetáculo. Ingressos esgotados e muita expectativa antecederam o segundo show dos escoceses na cidade maravilhosa. Com meia hora de atraso, a banda entoou os primeiros acordes de "I Didn’t See It Coming", faixa de abertura do novo LP da banda, Write About Love. Não parecia que a música tinha sido lançada há apenas um mês, tamanho o coro do público. O primeiro verso dessa canção, “make me dance, I want to surrender”, evidenciou a intenção dos presentes na noite: se render ao show dos precursores do twee pop.

P1000372

Longe da melancolia do início de carreira, o Belle and Sebastian engatou uma sequência dançante com "I’m A Cuckoo" e "Step Into My Office, Baby", acompanhadas efusivamente pela plateia. Na clássica "Like Dylan In The Movies", a banda disputou com público o título de quem cantava mais alto - e perdeu. Stevie Jackson virou o frontman por um instante, e cantou "I’m Not Living At The Real World", pouco antes de Stuart Murdoch roubar a cena mais uma vez e cantar "Piazza, New York Catcher" sentado na beirada do palco.

Quando o vocalista perguntou aos presentes quem estava os assistindo pela primeira vez, a maior parte da plateia se manifestou. Isso pode justificar o fato de poucas pessoas aparentarem conhecer o b-side "Loneliness Of A Middle-Distance Runner". Por outro lado, mostra que novos fãs não param de surgir, e cantam músicas recentes como "I Want The World To Stop" como se fosse uma velha conhecida.

P1000358

Em "Sukie In The Graveyard", uma fã foi convidada a subir no palco e dançar com a banda, causando inveja nos presentes. Depois do rock dançante, a emocionante "Lord Anthony" fez muito marmanjo chorar. Mas a maior emoção da noite foi o momento inusitado em que um rapaz entregou um cartaz para a banda com um pedido: queria que perguntassem à sua namorada se ela casaria com ele. Luísa disse “sim” à Rafael com a bênção do Belle and Sebastian, que chegou a entoar um trecho da marcha nupcial.

Tal como um bardo numa taverna medieval, Stevie puxou o coro de "Wrong Girl" e emendou com "(I Believe In) Travelling Light". Nas canções seguintes, "Dear Catastrophe Waitress", "Write About Love" e "Dirty Dream #2", o público já estava em estado de êxtase, mas a banda ainda preparava uma grande surpresa. Em "The Boy With The Arab Strap", cinco felizardos subiram ao palco para dançar com a banda, e ao final da canção foram condecorados. Cada um recebeu uma emblemática medalha, com os dizeres “I Made It With Belle and Sebastian” gravados.

belle and sebastian 055

Em "If You Find Yourself Caught In Love", Stuart se teleportou para o segundo andar do Circo e ficou no meio pessoal. Perto do fim, "Judy and The Dream of Horses" e "Sleep The Clock Around" animaram os fãs novos e antigos. O bis foi iniciado por "The State I Am In", única canção do álbum de estreia da banda presente no show. "Another Sunny Day" evindenciou a fase menos melancólica e mais “ensolarada” da banda. Stuart quis que Bob Kildea a cantasse, pois não lembrava da letra. Mas ele lembrou. O show foi encerrado com "Get Me Away From Here, I’m Dying", cantada como se fosse a última canção do mundo, por um público que não queria que o show terminasse.

No dia seguinte, Stuart disse no site oficial da banda que a apresentação no Circo Voador foi um dos melhores shows da banda de todos os tempos. Se é assim, então que eles não demorem tanto a voltar ao Brasil para que este comentário seja refeito outras várias e várias vezes...

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pista premium, essa aberração dos shows no Brasil

O cantor inglês Ed Sheeran tocou ontem em Belo Horizonte em uma apresentação cheia de altos e baixos. Um problema que chamou a atenção foi o tamanho da semi-deserta pista premium. A impressão que dava é que nem um terço do espaço dedicado ao pessoal que pagou o dobro do preço estava ocupado. A foto abaixo tirada durante a apresentação do cantor dá um noção do vácuo existente.


A organização foi no mínimo incompetente para dimensionar o espaço. Fica feio e desagradável tanto para o público quanto para o cantor.

Reproduzo a seguir um texto que escrevi em 2014 para o Move That Jukebox onde falo um pouco sobre esse costume indigesto dos promotores de shows no Brasil.

******
O abismo entre a pista comum e a pista premium

A simples existência de uma pista premium em um show é o suficiente para prejudicar (e muito) a experiência de quem não está nela. Acho natural cobrar valores diferentes para lugares diferentes, mas desde que o lugar esteja marcado. É justo que a cadeira da primeira fila ten…

O que acontece se um vampiro morder um zumbi? E se um zumbi morder um vampiro?

Já parou pra pensar no que acontece quando um vampiro morde um zumbi? Será que o zumbi vira um vampiro? E quando a situação é a inversa? Será que uma mordida de zumbi transforma o ser de dentes pontudos?
Tanto vampiros quanto zumbis são seres que podem ser classificados como "mortos-vivos". Isso significa que, apesar deles conseguirem executar certas ações que usualmente apenas os seres vivos são capazes, eles estão mortos. Na prática, se um vampiro morder um zumbi ou vice-versa não acontece nada. 

A razão desse efeito (ou da ausência de efeito) é que os zumbis mordem apenas seres vivos. Por esse motivo, eles não mordem outros zumbis, vampiros e múmias, por exemplo.
Por outro lado, os vampiros precisam se alimentar de sangue de seres vivos. E, embora os zumbis tenham sangue circulando em suas veias, eles já estão mortos.
Assim sendo, se um vampiro cruzar com um zumbi, certamente eles não se atacarão. E mesmo supondo que seja um vampiro doidão que queira morder um ser um put…

Quanta inovação pode conter um chinelo?

Não, eu não vou falar das Havaianas. A história da fabricante de chinelos brasileira que coloriu seus chinelos (que eram) feiosos e passou a ser um ícone da moda mundial já foi suficientemente explorada como exemplo de inovação no mundo dos negócios.

Eu vou falar é da Florine Chinelos, marca bem menor, mas com um produto interessantíssimo e um potencial de crescimento tremendo. Conheci a história da empresa em uma palestra de Alexandre Robazza, do SEBRAE SP.


Parece bucha de banho, né? Mas na verdade é o mesmo material utilizado para fazer tapetes. Aliás, o chinelo foi criado numa fábrica de tapetes.
Incomodado com as tiras que sobravam na fabricação dos tapetes, o criador do produto Carlos Gasparini, buscava alguma utilidade para os retalhos, até que um dia teve a ideia de fazer um chinelo. Após várias tentativas e com o protótipo em mãos, foi procurar o SEBRAE.
Com o apoio do SEBRAE, patenteou o produto, registrou a marca e começou a produção. Claro que não foi da noite para o dia, h…