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24 abril 2012

Belle and Sebastian - Write About Love

Pouco mais de um ano e meio atrás, o Belle and Sebastian lançou seu disco mais recente, Write About Love. Na ocasião, fiz uma resenha, que foi publicada no blog Disco Pops. Escrevi por uns tempos nesse blog, antes de entrar no Move That Jukebox. Atualmente, o Disco Pops anda sem atualizações, mas todo o seu conteúdo continua disponível online.

Reproduzo a seguir minhas impressões iniciais sobre o álbum.


Desde o primeiro disco, o Belle and Sebastian traz um conceito diferente a cada trabalho. Write About Love, primeiro álbum de estúdio desde 2006, não tem essa característica. Parece um apanhado de canções de cada fase da banda – dos primórdios de melancolia até os tempos ensolarados dos discos mais recentes. Dessa forma, todos que já curtiram a banda em algum momento de sua trajetória podem gostar do novo álbum.

A abertura, "I Didn’t See It Coming", é uma pérola pop cantada pela voz quase sussurrada de Sarah Martin, que recebe o reforço do vocalista principal Stuart Murdoch nos momentos mais fortes. As harmonias vocais, por sinal, são um dos pontos altos do disco. A canção é seguida por "Come On Sister", com sintetizadores que causam estranheza na primeira audição, mas se tornam indispensáveis na segunda.

Norah Jones rouba a cena e canta com Murdoch em "Little Lou, Ugly Jack, Prophet John", a principal surpresa do álbum. A mistura de jazz parece difícil de rotular – a parceria foi tão bem sucedida que também fará parte do próximo disco da cantora. Outra participação inusitada, mas com um resultado fabuloso, é a da atriz (isso mesmo, atriz) Carey Mulligan na faixa que dá nome ao disco. "Write About Love" é um single radiofônico sem tirar a identidade da banda.

Com os títulos na primeira pessoa, "I Want the World to Stop" e "I'm Not Living In The Real World" têm pegada suficiente para deixar os indies mais desinibidos dançando com os braços levantados e punhos cerrados enquanto os tímidos apreciam as letras inspiradas e melodias contagiantes. O Belle and Sebastian melancólico do fim da década de 90 está presente em "Calculating Bimbo", "Ghost Of Rockschool" e "Read The Blessed Pages", que mostram que a banda mesmo mudando sua sonoridade ao longo dos anos, ainda consegue compôr, gravar e produzir canções relevantes no estilo que os consagrou.


O trompete no início de "I Can See Your Future" parece iniciar uma canção de despedida. Aliás, esse é mesmo o clima da faixa que tem Sarah como principal vocalista: um fim de festa, mas em grande estilo. Antes do término do disco, o ouvinte ainda é presenteado com "Sunday’s Pretty Icons", com cara de faixa bônus.

Write About Love não tem uma unidade como álbum e soa como um disco de “Greatest Hits” dada a quantidade de hits em potencial, mas sem relações entre si. Se o disco fosse dividido em 3 EPs, o trabalho poderia soar mais coeso, porém os fãs teriam que esperar mais. Eu não queria esperar. No fim das contas, o que importa é que as músicas sejam boas. E algumas delas tem tudo para se tornarem clássicos do twee pop.

15 abril 2012

Mais piadas nerds

Certa vez recomendei o livro Piadas Nerds aqui no blog. Ainda recomendo. As piadas, em sua maioria publicadas originalmente na conta @PiadasNerds do Twitter, são divertidas e inteligentes.

A obra acabou virando um best-seller, merecidamente. Pra aproveitar o sucesso, lançaram recentemente os livros "Piadas Nerds: Matémtica" e "Piadas Nerds: Química".

O primeiro livro da série me surpreendeu positivamente, ao passo que os dois novos lançamentos foram um completa decepção. São típicos "caça-níqueis".

A qualidade do texto não caiu. Nem dos desenhos. O problema é que as páginas agora são muito mal aproveitadas. O livro original trazia entre 11 e 13 piadas por página, em média. Os novos têm apenas 2 ou 3. Na prática, isso quer dizer que as 110 páginas do Piadas Nerds: Química caberiam tranquilamente em umas 25 páginas do livro original. Sem contar que muitas piadas não são inéditas em papel.


Se você quiser ser uma pessoa divertida na sua roda de amigos nerds, o ideal é ter o primeiro livro na cabeceira e esquecer as sequências. Dizem que uma piada não é engraçada na segunda vez. Nesse caso é bem verdade.