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21 julho 2013

Os melhores discos de 2013 (até agora)

Desde o ano passado, a turma do Move That Jukebox tem publicado uma lista com os melhores disco do primeiro semestre, na opinião dos seus colaboradores. Mais uma vez participei da lista, e aí estão minhas escolhas.

Top 3 internacional

Beady Eye – BE
Cada vez mais distante do que foi o Oasis, o Beady Eye soa como uma banda nova. O maior resquício da antiga banda dos irmãos Gallagher, o grande expoente do britpop dos anos 90, é o vocal característico de Liam – até porque isso é um pouco difícil de mudar – e nem deveria. O álbum é cheio de baladas que prendem a atenção, rocks acelerados e longos interlúdios que conectam as faixas, criando uma unidade ao álbum.

David Bowie – The Next Day
Não dá pra dizer que após um longo tempo de espera, finalmente David Bowie lançou um novo disco, pois nos acostumamos a desistir de esperar. Em uma operação super sigilosa (incomum para a sociedade conectada em que vivemos), o cantor gravou The Next Day e só avisou ao mundo quando já estava tudo pronto. O resultado: o melhor disco de David Bowie desde que nasci.

Vampire Weekend – Modern Vampires of the City
Modern Vampires of The City serviu para tirar o termo “micareta indie” de todos os textos que falavam sobre o Vampire Weekend (oh não, acabei de usá-lo). Foi a principal surpresa do ano até agora – um disco impecável. A capa cinzenta pode dar a impressão de que é sombrio, triste, que te faz refletir sobre a vida. E é. Aliás, isso é um dos motivos que fazem o álbum ser tão bom.

Top 3 Nacional
Apanhador Só – Antes Que Tu Conte Outra
O experimentalismo é uma constante no novo álbum do Apanhador Só. Os barulhinhos e ruídos do Acústico-Sucateiro, lançado em 2011, retornam acompanhados por instrumentos musicais de verdade. Mudanças na sonoridade e no andamento são frequentes e em alguns momentos pode até incomodar – antes de cativar. O disco ainda traz a inspirada “Líquido Preto”, uma ode à um certo refrigerante que poderia ser uma balada romântica se não tivesse uma letra tão incomum.

Clarice Falcão – Monomania
O álbum de estreia de Clarice Falcão foi concebido ao lado do público, que por meses acompanhou cada nova composição através de vídeos no Youtube. De webhit à queridinha indie nacional foi um pulo. Reconhecimento merecido. As letras repletas de ironia e humor nonsense só não arrancam gargalhadas do público porque a plateia já está cantando junto cada uma de suas canções.

Ludov – Eras Glaciais EP
Eras Glaciais completa a trilogia de EPs iniciada como comemoração aos 10 anos da banda – e é disparado o melhor dos três. Ao longo das quatro faixas,o Ludov mostra um pouco de folk, power pop, baladas e rock. Tudo conectado e fazendo sentido. Destaque para a faixa homônima, que abre o EP e é um belo cartão de visitas para quem ainda não conhece o som do grupo.

As listas dos outros colaboradores do blog (além da minha) você encontra lá no Move That Jukebox.

17 julho 2013

Sim, o novo padrão brasileiro de tomadas é melhor pra você. Eu te ajudo a entender o porquê.

Todo mundo reclama do novo padrão brasileiro de tomadas, e ninguém elogia. Eu até entendo - as reclamações costumam vir em um momento de frustração, onde a pessoa tem dificuldades de utilizar uma tomada por não ter um plugue ou adaptador. É natural se incomodar com a situação em um primeiro momento, mas é preciso ter senso crítico e entender os motivos da mudança.


O principal motivo por si só já justifica a existência do novo padrão: a segurança.

Tenho flashes na minha memória de tomar muitos choques em tomadas quando era criança. Não sei com eu conseguia, mas isso acontecia. Com o novo padrão de tomadas, isso não aconteceria, simplesmente porque é impossível deixar os condutores metálicos do plugue expostos quando ligado à rede elétrica. A figura esquematiza a situação.
Outro ponto importante, é que agora o aterramento é obrigatório. O aterramento tem como objetivo principal a segurança do usuário. Ele serve como um caminho alternativo de corrente para proteger o usuário de descargas atmosféricas, e também para permitir que as cargas estáticas dos aparelhos eletroeletrônicos fluam para a terra.

De mais de 10 tipos diferentes de tomadas no Brasil, fomos para apenas dois, com a diferença apenas no diâmetro dos pinos (em função da corrente dos aparelhos).

O que pouca gente sabe, é que esse padrão não é uma invenção mirabolante do Brasil. E que a norma brasileira, NBR14136, é baseada num padrão internacional chamado IEC 60906-1, publicado pela Comissão Eletrotécnica Internacional numa galáxia muito distante, em 1986. Esse padrão foi desenvolvido com a participação de mais 50 países. Mas quase 30 anos depois, apenas o Brasil e a África do Sul se arriscaram a utilizá-lo. Todo mundo se conversou, achou bonito, e depois cada um voltou pra casa e foi viver sua vida. Se todos os outros países que se envolveram no acordo tivessem mudado suas tomadas, não haveria reclamação de compatibilidade internacional.

Eu entendo que a transição é sofrida, e vai continuar sendo por alguns anos. Mas é indiscutível que a conexão de um plugue em uma tomada no novo padrão é muito melhor do que a tínhamos anteriormente. Mais firme, mais segura. Por livre e espontânea vontade, troquei as tomadas de casa. Eu prefiro ficar usando adaptadores por um tempo pra poder usufruir dos benefícios do novo padrão de tomadas. 

Naturalmente, dentro de alguns anos, todos os plugues e tomadas seguirão a NBR14136, e ninguém terá mais nenhuma chateação. Vamos esperar, que vale a pena.

E se você ainda não está convencido, seguem alguns dados do DataSUS, reproduzidos no site do Inmetro. Nos últimos dez anos, o DataSUS registrou 13.776 internações com 379 óbitos e mais 15.418 mortes imediatas decorrentes de acidentes relativos à exposição a correntes elétricas em residências, escolas, asilos e locais de trabalho. Além disso, dentre os acidentados, o choque elétrico é a terceira maior causa de morte infantil.

As figuras foram reproduzidas a partir do site do Inmetro, que traz muita informação interessante. Sugiro a visita.

11 julho 2013

Carioca Girls, superexposição e vergonha alheia sem limites

Tem coisas que não devem ser divididas com milhões de pessoas. Ao publicar um conteúdo de maneira pública na internet, é grande a possibilidade de que apenas uns 30 amigos e uns outros 5 conhecidos tenham acesso ao material, e depois disso ele se perca no ciberespaço. Por outro lado, o seu material pode virar um fenômeno de audiência e as consequências disso podem ser tão boas quanto destrutivas.

A bola da vez é o garoto Max, de doze anos, e sua  música "Carioca Girls". Em um vídeo bem produzido e editado, Max canta sua versão da música California Girls, de Katy Perry, mas com uma letra que eu tenho vergonha de reproduzir e ficaria decepcionado se tivesse um filho que a cantasse.


A letra é uma homenagem às garotas de biquini das praias cariocas. Pior que a futilidade disso tudo, é ouvir as palavras saírem da boca de um garoto de doze anos com pose de mini-adulto.

Ao disponibilizar o vídeo na rede mundial (com um empurrãozinho do Não Salvo), Max ficou completamente exposto a todo tipo de crítica - tão vazias  e sem conteúdo como sua música. Se o vídeo ficasse só entre a família e o círculo de amigos do ~cantor~, tudo ficaria bem. Só que agora ele provavelmente será alvo de gozações por uns bons anos.

O caso é parecido com o de Nissim Ourfali, que teve um vídeo produzido para o seu Bar Mitzvah e também caiu na rede. O clipe foi divulgado pela própria família que, ao perceber a besteira que fez, retirou o vídeo do ar. Tarde demais, é verdade. O compartilhamento foi intenso, e diversas cópias são encontradas na web.



Há muito em comum entre os dois vídeos. Em primeiro lugar, a superexposição de uma criança. O segundo ponto é a ingenuidade de achar que algo que é legal para um grupo pequeno, ou uma família, também vai ser bem recebido pelo resto da humanidade. O por último, é que os vídeos geram uma sensação enorme de vergonha alheia. Certamente Max e Nissim lembrarão deles no futuro com um misto de alegria e vergonha pelos seus quinze minutos de fama.

São casos como esses nos fazem refletir. Será que queremos ser lembrados por tudo aquilo que colocamos na internet? Será que daqui a alguns anos eu terei vergonha deste texto e vai ser tarde demais para apagá-lo?