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31 janeiro 2016

O futuro chegou e eu não abandonei os livros de papel

Há pouco mais de cinco anos, escrevi um texto intitulado "E você, como vai ler livros no futuro?" em que eu analisava uma série de e-readers (leitores digitais de livros) e o recém-lancado iPad. O tempo passou, tive dois e-readers (Kindle Touch e Kobo Aura HD) e três tablets (iPad 1, Samsung Galaxy Tab 10.1 e Sony Xperia Z2), e já me sinto apto a falar sobre como os livros e revistas digitais passaram a fazer parte da minha vida.

Atualmente estou apenas com o Kobo, com Xperia Z2 e papel, muito papel. Acabei percebendo que cada plataforma tem seus diferenciais - e incluo o livro tradicional como plataforma.



Quando o e-reader é melhor

Os e-readers como o Kobo ou o Kindle são os campeões disparados quando o seu objetivo é ler um livro de forma sequencial e que não tenha muitas ilustrações. São dispositivos leves, que podem ser utilizados usando apenas uma mão e com altíssima autonomia de bateria. Excelentes para viagens, para ler em pé no ônibus, metrô ou em um banco de praça (a tela não permite que reflexos atrapalhem a leitura). São dispositivos robustos, que podem tomar tombos, serem colocados em qualquer lugar e não emitem luz direcionada para seu olho.

As pessoas tendem a achar que um tablet ou um telefone celular substituem os leitores digitais de livros, e é muito difícil convencê-las do contrário. O que posso dizer como usuário é que a experiência de leitura em um e-reader como o Kobo ou o Kindle é muito mais agradável que a experiência em um tablet e só usando um que você pode ser convencido.



Quando o tablet é melhor

Essa é difícil responder, pois o tablet é um dispositivo que não possui nenhuma função em que ele é a melhor escolha. A sua principal vantagem é a integração de múltiplas funções e sua portabilidade. Meu tablet se tornou minha principal opção para ler revistas. Nesse caso, ainda sinto que a revista de papel provém uma experiência melhor, mas acabo escolhendo o tablet pois tenho acesso às publicações antes delas chegarem às bancas (ou em casa, no caso de assinatura), e posso mantê-las armazenadas sem ocupar espaço físico.

Em dezembro de 2015 as últimas assinaturas que tinha em papel acabaram, e agora só tenho assinaturas digitais. Há cerca de quatro anos fiz um texto curto falando sobre as revistas que estava lendo na época e duas delas já deixaram de existir.

Também uso o tablet para ler quadrinhos. A experiência do papel nesse caso também é superior. Além disso, HQs são pra mim um item de coleção, que gosto de ter para reler ou somente enfeitar a estante. Opto por ler HQs no tablet quando só estão disponíveis nos EUA (geralmente usando o serviço Comixology para comprá-las), ou pelo Social Comics, serviço brasileiro de streaming de quadrinhos que me tornei assinante.

O tablet também é bom para ler artigos acadêmicos em PDF quando estou na aula. Na maioria das vezes em que estou estudando, no entanto, prefiro fazer isso utilizando um monitor bem grande ligado ao meu computador.


Quando o papel é melhor

Continuo comprando livros de papel praticamente na mesma frequência com que compro livros digitais. A escolha pelo papel se dá naturalmente quando o livro não tem versão digital distribuída de forma legal. Também compro livros de papel quando eles tem um acabamento de luxo com capa dura, papel especial etc. E há os livros que tem muitas fotos ou ilustrações (muito comum em biografias, por exemplo) em que a versão de papel continua sendo a melhor escolha. Sem contar os quadrinhos, como mencionei acima.



Então os livros não vão acabar, né?

Eu acreditava que iria abandonar o digital substituiria o papel na maioria de suas aplicações em pouco tempo, O tempo me mostrou que o livro digital é uma plataforma adicional, que pode viver em paz e harmonia com o livro de papel.

Tempos atrás eu dizia que quando me aposentasse, iria abrir uma banca de revistas para continuar ocupado com um trabalho, mas hoje questiono se elas resistirão até lá. Enquanto um livro perdura por gerações, o caráter efêmero da revista a deixa em grande desvantagem com a produção de conteúdo na Internet.

Em 2021 eu revisitarei esse texto para ver o que mudou. Minha principal aposta para o período é o lançamento comercial do e-reader com tela colorida. Estou ansioso por um! Também acho que boa parte das revistas encontradas em bancas deixarão de existir (além de achar improvável que novas publicações se destaquem). Será que vou acertar?



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