Pular para o conteúdo principal

Não dá pra entender como ainda tem gente que defende o machismo do Galo

A principal polêmica que circulou na minha timeline no dia de hoje foi o lançamento dos uniformes do Atlético para a temporada de 2016. O ponto que motivou mais discussões foi a forma machista como os uniformes foram apresentados: por modelos com pouca ou muito pouca roupa.



Parece inconcebível que em 2016 uma empresa se sujeite a esse tipo de postura. É um tipo de publicidade que é combatido e considerado ultrapassado por quem tem o mínimo de consciência, mas mesmo assim deve trazer bons resultados - vide as propagandas de cerveja sempre protagonizadas por mulheres seminuas que continuam sendo divulgadas. No fundo, a maior parte do público do futebol em geral parece tratar isso com naturalidade - o que é muito triste.

Percebi que a polêmica estava no ar quando recebi em um grupo de amigos no WhatsApp chacotas vindas de cruzeirenses sobre o fato "dos atleticanos não gostarem das mulheres". Na minha inocência de acreditar que ao menos no meu círculo de amigos as pessoas teriam um senso mínimo de respeito, joguei no ar a pergunta:

"Sério que vocês acham isso realmente engraçado ou só estão fingindo de bobos?"

A minha surpresa maior foi a série de respostas que recebi, tanto de atleticanos quanto de cruzeirenses. Cada resposta tinha pelo menos uma dessas características: machismo, homofobia e misoginia. Vou poupá-los dessas respostas, pois elas foram enviadas em um grupo privado. Mas posso colocar alguns exemplos publicados abertamente no Facebook e Twitter para dar uma ideia de como está se comportando o "torcedor médio".




As postagens acima foram recortadas de um evento do Facebook criado para um protesto organizado por atleticanas, mas cancelado.

Uma busca por "Galo" no Twitter também revelou alguns tweets que me ajudam a perder a fé na humanidade:






Convenhamos, o futebol é um esporte extremamente machista. Quem vai ao estádio vê isso muito bem, seja nos xingamentos que as bandeirinhas e juízas ouvem, seja nos cantos de torcida que nunca exaltam o próprio time, apenas "ofendem" o adversário com letras machistas e homofóbicas. Sem contar as olhadas desrespeitosas e as cantadas que as torcedoras ouvem. Crescemos ouvindo que futebol não é coisa de mulher e as que gostam do esporte acabam sofrendo preconceito. Por todos esses motivos, a realização de um evento de marketing como esse não me surpreende em nada. O machismo no futebol não está apenas no lançamento de uma nova linha de uniformes, está por toda parte. Parece que o mundo ainda não está pronto.


Felizmente, há muitas mulheres e homens que acreditam que isso é um problema real, e se manifestaram de forma a mostrar isso para o resto do mundo. A discussão que surgiu nessa semana está longe de resolver o problema, mas já é um ótimo começo.

Dificilmente a postura dos times e torcedores mudará a curto prazo (o Atlético-MG, veja só que vergonha, ao invés de soltar uma nota oficial com pedido de desculpas, ressaltou que não houve machismo no desfile). No entanto, cada passo dado em busca de um mundo mais igualitário tem seu valor e essa polêmica certamente fez algumas pessoas reavaliarem suas posturas. A gente muda o mundo de pouquinho em pouquinho. Até lá, vamos nos decepcionando com o ser humano, mas sem deixar de acreditar que o futuro pode ser melhor.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pista premium, essa aberração dos shows no Brasil

O cantor inglês Ed Sheeran tocou ontem em Belo Horizonte em uma apresentação cheia de altos e baixos. Um problema que chamou a atenção foi o tamanho da semi-deserta pista premium. A impressão que dava é que nem um terço do espaço dedicado ao pessoal que pagou o dobro do preço estava ocupado. A foto abaixo tirada durante a apresentação do cantor dá um noção do vácuo existente.


A organização foi no mínimo incompetente para dimensionar o espaço. Fica feio e desagradável tanto para o público quanto para o cantor.

Reproduzo a seguir um texto que escrevi em 2014 para o Move That Jukebox onde falo um pouco sobre esse costume indigesto dos promotores de shows no Brasil.

******
O abismo entre a pista comum e a pista premium

A simples existência de uma pista premium em um show é o suficiente para prejudicar (e muito) a experiência de quem não está nela. Acho natural cobrar valores diferentes para lugares diferentes, mas desde que o lugar esteja marcado. É justo que a cadeira da primeira fila ten…

O que acontece se um vampiro morder um zumbi? E se um zumbi morder um vampiro?

Já parou pra pensar no que acontece quando um vampiro morde um zumbi? Será que o zumbi vira um vampiro? E quando a situação é a inversa? Será que uma mordida de zumbi transforma o ser de dentes pontudos?
Tanto vampiros quanto zumbis são seres que podem ser classificados como "mortos-vivos". Isso significa que, apesar deles conseguirem executar certas ações que usualmente apenas os seres vivos são capazes, eles estão mortos. Na prática, se um vampiro morder um zumbi ou vice-versa não acontece nada. 

A razão desse efeito (ou da ausência de efeito) é que os zumbis mordem apenas seres vivos. Por esse motivo, eles não mordem outros zumbis, vampiros e múmias, por exemplo.
Por outro lado, os vampiros precisam se alimentar de sangue de seres vivos. E, embora os zumbis tenham sangue circulando em suas veias, eles já estão mortos.
Assim sendo, se um vampiro cruzar com um zumbi, certamente eles não se atacarão. E mesmo supondo que seja um vampiro doidão que queira morder um ser um put…

Quanta inovação pode conter um chinelo?

Não, eu não vou falar das Havaianas. A história da fabricante de chinelos brasileira que coloriu seus chinelos (que eram) feiosos e passou a ser um ícone da moda mundial já foi suficientemente explorada como exemplo de inovação no mundo dos negócios.

Eu vou falar é da Florine Chinelos, marca bem menor, mas com um produto interessantíssimo e um potencial de crescimento tremendo. Conheci a história da empresa em uma palestra de Alexandre Robazza, do SEBRAE SP.


Parece bucha de banho, né? Mas na verdade é o mesmo material utilizado para fazer tapetes. Aliás, o chinelo foi criado numa fábrica de tapetes.
Incomodado com as tiras que sobravam na fabricação dos tapetes, o criador do produto Carlos Gasparini, buscava alguma utilidade para os retalhos, até que um dia teve a ideia de fazer um chinelo. Após várias tentativas e com o protótipo em mãos, foi procurar o SEBRAE.
Com o apoio do SEBRAE, patenteou o produto, registrou a marca e começou a produção. Claro que não foi da noite para o dia, h…