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21 setembro 2016

Supermax (ou como o Netflix está mudando a forma da Globo fazer TV)


A Rede Globo acabou de estrear a série Supermax na sua grade de programação. O que nem todo mundo sabe é que desde o fim da semana passada, os primeiros onze episódios da série já estavam disponíveis para os assinantes do Globo Play, o serviço de streaming da emissora. É praticamente o que o Netflix faz com suas séries, com a diferença que o último episódio não foi disponibilizado (e deve ser guardado para que a série se encerre na TV e na internet ao mesmo tempo).

Desde o lançamento dessa plataforma, eu me perguntava se alguém pagaria uma assinatura para ter acesso à programação distribuída gratuitamente em um canal aberto. A resposta veio mais fácil do que eu esperava: assim que descobri que Supermax estava disponível, foram menos de 24 horas até eu me tornar um assinante. Se eu, que quase nunca assisto TV, me interessei, a Globo deve ter ganhado muitos clientes no país. (Uma dica: eu realmente estava disposto a pagar os 15 reais da mensalidade, mas ao abrir o aplicativo na minha TV Samsung, descobri que eu tinha direito a quatro meses gratuitos, graças a uma parceria com a fabricante coreana. Caso tenha uma Smart TV da Samsung, confira se você é elegível à promoção).

Supermax me instigou a curiosidade na última Comicon Experience, quando a Globo fez um painel no evento sobre a série. Confesso que não vi o painel, mas o fato da emissora estar presente em um evento de cultura pop foi o suficiente para que eu procurasse mais informações sobre a produção. Quando descobri que o escritor Raphael Draccon era um dos roteiristas, fiquei ainda mais interessado e aguardei ansiosamente a estreia da série.



Supermax é o nome de um reality show que acontece dentro de uma prisão de segurança máxima. O primeiro episódio tem uma estrutura muito parecida com o início do Big Brother Brasil, com a apresentação das regras e dos participantes, e o Pedro Bial (sim, ele mesmo) como mestre de cerimônias. Esse episódio tem um tom muito diferente dos episódios seguintes, mas creio que isso é necessário para a ambientação do público da Globo. Caso você veja o primeira episódio e ache que está com muita cara de BBB, não desista, a partir do segundo, que começa a traçar melhor as relações entre os participantes, a situação melhora e a qualidade só aumenta.

A série engrena de verdade no terceiro episódio, com várias intrigas e situações inexplicáveis (ao menos até o momento). Estou no sexto (que me deixou embasbacado) e cada episódio tem superado o anterior. Fico pensando e criando teorias para tentar desvendar os mistérios e saber o que realmente está acontecendo.

É muito interessante ver a Globo apresentando temas incomuns à sua programação de forma tão aberta, em alguns casos de forma explícita: pedofilia, satanismo, crimes bárbaros, tortura, esquartejamento, uso de drogas pesadas, (muito) sangue, vômitos, violência e sérias discussões sobre vida, morte e sobrevivência. Supermax é uma série de terror. Tem criaturas e eventos sobrenaturais (ou será que não são?). Em entrevista ao Omelete, Raphael Draccon menciona que "não acredita que eles vão colocar no ar tudo que foi pensado".

Os efeitos especiais nem sempre são naturais, mas são bons o suficiente e superam muito do que é visto na TV. A Globo tem algumas apostas em computação gráfica muito questionáveis como a mesa tática usada nas transmissões esportivas e, mas em Supermax os efeitos cumprem bem seu papel e superam o que normalmente é visto nas produções nacionais. A maquiagem é caprichada e alguns ferimentos chegam a ter enjoo pela sensação de realidade transmitida.


Essa é a primeira grande aposta da Globo na distribuição de conteúdo pela internet e certamente o seu resultado deve influenciar a estratégia da emissora para o futuro. Há mais de uma década eu não acompanhava uma produção de teledramaturgia da emissora e provavelmente há muito gente como eu que só virou os olhos para a Globo agora. Isso é um ótimo sinal. Torço para a longevidade da série (se o seu final der abertura para isso) e para que mais projetos assim ganhem espaço.

O site da série ignora, de certa forma, o fato de que os episódios já estão disponíveis e fala muito sobre o episódio atual. Natural, pois a maioria do público provavelmente está acompanhando Supermax pela TV.

E tem mais uma coisa que parece boba, mas me trouxe uma sensação boa: adorei o fato de estar vendo um série de terror e os atores estarem falando português. Pra quem prefere a interpretação original à dublagem, ver uma trama assim desenvolvida em português foi uma alegria.

A série foi uma surpresa muito positiva, recomendo fortemente que assistam. E se não quiserem esperar uma semana pra ver cada episódio, a mensalidade do Globo Play custa menos que um ingresso de cinema.

Estou muito feliz com o resultado e envolvido com a trama. Terminando esse texto vou ali assistir mais um episódio. Só não sei se consigo esperar pra ver o último em dezembro! (Acho que seria fantástico se a Globo fizesse o lançamento do episódio em uma transmissão na próxima edição da Comicon Experience).

Supermax é transmitido toda terça às 23:30 ou a qualquer momento pelo Globo Play.


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