Pular para o conteúdo principal

Precisamos de menos "Black Mirror" e mais "Tomorrowland" na vida.

Na última sexta-feira, estreou a terceira temporada de "Black Mirror" na Netflix, com seis episódios. É uma das atuais queridinhas do público (e minha também). "Tomorrowland" ainda não está disponível na Netflix, mas pode ser visto no Google Play, iTunes e outros serviços de locação. Só não é um queridinho do público porque o público ainda não conhece (na minha humilde opinião).


"Black Mirror" é uma série de contos de ficção científica que leva ao extremo negativo aspectos da tecnologia do nosso dia a dia. Trata da forma como nos relacionamos com nossos dispositivos eletrônicos (existentes ou não) e como isso transforma nossa convivência com os outros seres humanos. No entanto, a visão sempre tem um viés pessimista e as coisas costumam acabar mal. É feito pra chocar. Cada episódio tem uma história fechada e independente (nenhum personagem se repete, inclusive) e pode ser encarado como um filme de curta duração.

"Tomorrowland", por sua vez,  é um filme baseado na visão de futuro de Walt Disney, refletido na área de mesmo nome presente nos parques. Estreou ano passado, mas não foi um sucesso de público. Eu adorei o filme, e pra mim foi um dos melhores do ano. A grande diferença de "Tomorrowland" para os filmes de ficção científica tradicionais é que ele aborda a evolução tecnológica como algo positivo, que pode impactar positivamente no bem estar e qualidade de vida das pessoas.


Esse é o grande contraponto com "Black Mirror". Quem me conhece, sabe que sou muito ligado à tecnologia, early adopter de produtos que às vezes sequer chegam aos olhos do grande público e carregado de gadgets no dia a dia. Praticamente o Inspetor Bugiganga. E por mais que "Black Mirror" me faça refletir, creio que o mais importante é termos consciência do que estamos fazendo com nossas vidas. Saber o que é bom, o que é ruim. O que facilita a vida e o que complica. O que torna o mundo um lugar melhor para vivermos e o que só piora as coisas.

A visão que "Tomorrowland" traz é a que compartilho é de que o progresso científico é bom para a sociedade e que gente má existe em todo lugar, independentemente da tecnologia. Não são nossos dispositivos que vão nos transformar em monstros, isso vem da nossa essência.

Retornando ao título do post, precisamos pensar menos como "Black Mirror" e mais como "Tomorrowland". Vamos usar a tecnologia a nosso favor, tendo consciência do que nos torna humanos e da importância de vivermos em sociedade.

Mas não deixem de assistir "Black Mirror" nem "Tomorrowland"!


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os patos de Patópolis e o Pato Fu

Recentemente, enquanto lia uma revista do Ducktales (os caçadores de aventuras, todos eles são grandes figuras), me deparei com um quadrinho onde o Capitão Bóing fazia uma ameaça aos seus adversários invocando o poder do Pato Fu (ou seja, o kung fu dos patos). Achei a referência divertida, postei no Twitter, a própria banda retweetou a publicação, mas achei que era um caso isolado.


Pra quem conhece a história da banda, o uso desses termos faz todo sentido. O nome Pato Fu foi inspirado em uma tira do Garfield onde ele lutava Gato Fu.


Normalmente esse tipo de referência é chamado de "easter egg", termo em inglês para ovo de páscoa. É uma surpresa escondida na narrativa (seja ela em quadrinhos, prosa, cinema etc) que não tem influência na história. Assim, quem conhece a referência acha interessante, se diverte um pouco mais e pra quem não conhece a vida continua como se nada tivesse acontecido.

Algumas semanas depois, lendo o volume "A Cidade Fantasma", da coleção do…

As notícias falsas que confundiram o público da Campus Party MG

Tive o prazer de ministrar uma palestra na última edição da Campus Party em MG com o tema "Fake News - Como viver num mundo de mentiras". Em breve, essa palestra estará disponível no YouTube e, assim que tiver o link, compartilho com você.



No início da minha apresentação, mostrei algumas notícias e pedi para o público preencher um questionário avaliando se cada publicação era verdadeira ou falsa. TODAS eram falsas, por mais convincentes que parecessem.

O público da Campus Party é jovem e ligado em tecnologia, o que poderia nos levar à hipótese de que estariam mais antenados e conseguiriam identificar o que realmente aconteceu. Os resultados foram um pouco diferentes.

A primeira notícia falava que o plantão da Globo nos atentados de 11 de setembro interromperam um episódio de Dragon Ball Z. 44% do público estava convencido de que isso era verdade. Esse é um caso curioso, pois é muito comum encontrarmos pessoas que afirmam se lembrar do ocorrido, mas essa é uma espécie de memória…

Quanta inovação pode conter um chinelo?

Não, eu não vou falar das Havaianas. A história da fabricante de chinelos brasileira que coloriu seus chinelos (que eram) feiosos e passou a ser um ícone da moda mundial já foi suficientemente explorada como exemplo de inovação no mundo dos negócios.

Eu vou falar é da Florine Chinelos, marca bem menor, mas com um produto interessantíssimo e um potencial de crescimento tremendo. Conheci a história da empresa em uma palestra de Alexandre Robazza, do SEBRAE SP.


Parece bucha de banho, né? Mas na verdade é o mesmo material utilizado para fazer tapetes. Aliás, o chinelo foi criado numa fábrica de tapetes.
Incomodado com as tiras que sobravam na fabricação dos tapetes, o criador do produto Carlos Gasparini, buscava alguma utilidade para os retalhos, até que um dia teve a ideia de fazer um chinelo. Após várias tentativas e com o protótipo em mãos, foi procurar o SEBRAE.
Com o apoio do SEBRAE, patenteou o produto, registrou a marca e começou a produção. Claro que não foi da noite para o dia, h…