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13 dezembro 2016

Já tem "Uber clandestino" em Confins pegando passageiros no grito


Dia desses, ao pousar em Confins, tomei um susto. Sabe esse pessoal que fica na rodoviária de Belo Horizonte gritando "Ipatinga, Valadares", oferecendo transporte clandestino para o interior? Pois é, fui recebido no aeroporto por várias pessoas me perguntando: "Uber?" querendo conquistar um passageiro desde a saída do desembarque.

O que está acontecendo é que os motoristas de Uber (ou será que não são?), na tentativa de burlar a fila e não ter que pagar a taxa do aplicativo, estão se oferecendo aos potenciais passageiros e propondo um preço fechado, menor do que eles pagariam se o pedido fosse feito pelo aplicativo.

Um dos motoristas foi bastante insistente falando que ele estava em décimo da fila e tinha ido para o número 170 porque seu celular o sinal, e que tinha mais que uma hora que ele estava esperando. Até me mostrou a tela do aplicativo de motoristas da Uber. Ele poderia até estar falando a verdade, mas eu não me sinto confortável em fazer uma corrida fora do sistema, mesmo que fosse mais barata.

E eu acho isso errado em muitos aspectos.
  1. Ao fazer uma corrida em um carro sem o rastreamento do aplicativo, na prática você está entrando em um carro de um desconhecido que se fizer qualquer coisa errada você nem vai saber quem é. É um problema de segurança pública.
  2. Outro ponto é que, se existe uma fila da qual você faz (ou deveria fazer) parte, é muito desonesto você furá-la fila em qualquer situação.
  3. Por fim, se você tem vínculo com uma empresa e usa o nome dela para trabalhar, burlar o sistema para evitar um repasse de receita também é desonesto.  

Quanto ao último aspecto, o motorista pode alegar que ele não é funcionário do Uber. E não é mesmo, legalmente o Uber presta um serviço para o motorista. Eu considero um problema por causa da abordagem, onde o motorista usa (ou simula) um vínculo com a empresa e abertamente fala em burlar o sistema.

Enfim, se em dois minutos fui abordado por 3 motoristas diferentes, imagino que isso seja uma situação muito frequente. E deve dar resultado para os motoristas, senão eles não fariam isso. De qualquer forma, não vai ser eu quem vai ser usuário de um "Uber clandestino". E espero que você também não.


5 comentários:

  1. Fui pra Viçosa na semana passada junto com outros dois amigos em um desses gritadores da rodoviária. Ele me ofereceu o serviço, eu fui lá, olhei o carro. Conversamos, pedi pra ver a carteira de motorista, achei interessante o preço. Pedi cartão, liguei para um contato que já tinha ido antes.. enfim... analisei a coisa toda, combinamos tudo e fui embora feliz. Economizei cerca de R$ 20,00 e ainda cheguei uma hora mais cedo ao destino. Foi tão bom que inclusive voltei com o mesmo motorista neste "táxi lotação". Oferta e demanda. Não tem que ter "sistema" pra quase nada nestes casos, a não ser pra facilitar. Por mim, deveria ter era regulação NENHUMA para esse tipo de coisa. Quem quiser oferecer o serviço (qualquer serviço), que ofereça, se for por aplicativo... que bom, se for por boca a boca... que bom também. Os clientes devem ter o direito de escolher o que querem usar. Não me incomoda de nenhuma forma que "furem fila" ou que não "repassem receita ao sistema" desde que ofereçam um serviço que na minha opinião seja justo, que com o tempo conquiste a confiança na forma como foi idealizado e que atenda as expectativas APENAS dos interessados. O governo tem mais é que se meter menos. A Uber não tem que ser protegida, ela inclusive ficou famosa justamente por ir contra o paternalismo aos taxistas e ao monopólio do transporte particular. Desejo a ela inúmeros concorrentes, no aeroporto, na rodoviária e em todo lugar.

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    1. Concordo com a maior parte do que você disse. Meu ponto não é contra a ausência de sistema nem a favor da regulamentação, até porque o Uber nem é regulamentado. Não sou a favor é do motorista usar o nome da empresa e burlar o sistema quando lhe é conveniente. Caso ele se apresentasse como motorista particular e sequer mencionasse a Uber, a situação seria outra.

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    2. Eu não acredito prestadores de serviços possam ficar fora de regulamentações. Pode funcionar com um ou outro, tudo bem. Porém na média acredito que a falta de regulamentação significa falta de segurança, falta de respeito (aos direitos de consumidores e funcionários) e geração de lucro sem arrecadação de impostos.

      Nesse exemplo do texto, o simples fato dos motoristas estarem agindo fora da regulamentação privada da empresa já se transforma em assédio e abre brechas para pessoas má intencionadas se aproveitarem da situação. Além de, como dito, se aproveitar do nome/marca alheia para oferecer um serviço diferente do dela.

      Enfim, acredito que sistemas, quando bem implementados, como a Uber, são bons e são necessários. Não acredito que a simples concorrência sem regulamentação seja suficiente para prover um serviço seguro, confiável, e ótimo. O máximo que eu espero da simples concorrência é redução de preço. Por isso o ideal é haver os dois: concorrência é regulamentação.

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    3. e* regulamentação.

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    4. Ótimo comentário, Nilo! Eu não tinha entrado no mérito do respeito ao consumidor nem na sonegação de impostos, mas realmente são dois pontos importantes pra se levar em conta.

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