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20 março 2016

Herói - a história da revista que inspirou uma geração (a minha)



De 1995 a 2002 fui um leitor assíduo da revista Herói. A revista foi um fenômeno na época em que os Cavaleiros do Zodíaco faziam sucesso na TV e chegou a vender 12 milhões de exemplares no período de um ano.

Ainda hoje, a Herói sobrevive na forma de site (heroi.com.br), mas sem o mesmo impacto dos tempos da edição impressa. Vinte anos atrás, quando a internet ainda engatinhava, a Herói era a principal fonte de informação sobre cultura pop que tínhamos acesso. Hoje temos inúmeros sites e as bancas de revista não tem mais a mesma relevância.



Contar a história da revista Herói é contar um pouco da minha história também. Boa parte dos quadrinhos, livros, filmes, seriados e jogos que consumi no período em que a revista existiu, de uma forma ou outra acabavam aparecendo na publicação. Por esse motivo, fiquei super empolgado quando vi a campanha de crowdfunding que fizeram para a produção de um livro sobre a história da Herói.

Colaborei com a campanha na hora e fui entrevistado para o livro. A página da minha entrevista está reproduzida abaixo:


Quem acompanhou a revista vai adorar ler os detalhes da produção, os depoimentos da redação e fatos que como leitores nunca ficaríamos sabendo. Visualmente, o livro não ficou legal quanto a revista, deu a impressão de que a pressa para a produção prejudicou um pouco um trabalho. Pela qualidade do conteúdo, no entanto, dá pra relevar esse detalhe. Ler o livro da Herói só traz boas lembranças. É um material que certamente irei revisitar de tempos em tempos, como se tivesse pegando um álbum de fotografias para relembrar momentos importantes da vida.

O livro da Herói está à venda no site da Popster por 35 reais.

12 março 2016

Não vamos ser corruptos. Não vamos comprar ingressos de cambistas. Não vamos nos tornar cambistas.


Na última semana procurei por ingressos para o show do Maroon 5 em Belo Horizonte e não encontrei nenhuma pessoa honesta vendendo. Pra muita gente parece normal cobrar um pouco mais que o preço de venda para repassar um ingresso de um evento que desistiu de ir, mas não é. Além de ser crime contra a economia popular é uma bruta sacanagem com quem não conseguiu comprar os ingressos com antecedência.

Não compro ingressos de cambistas de forma alguma. Nem se estiver mais barato que na bilheteria. E uma pessoa que está vendendo um único ingresso, se estiver tendo lucro, pra mim também é cambista.

É muito incoerente o fato de que, em um país que cada vez mais se discute sobre a ética e corrupção na esfera pública, as pessoas tratem com naturalidade comprarem de cambistas e se tornarem um deles.

Há pouco menos de dois anos, publiquei um texto no Move That Jukebox sobre o assunto, e acho que seu assunto ainda hoje é muito atual. Confira a reprodução abaixo:

Compro e vendo ingresso. Compro e vendo ingresso.
(publicado originalmente em 08/08/2014, no Move That Jukebox)

Imagine essa situação: aquela banda da qual você tanto gosta, mas que nunca veio ao Brasil, finalmente confirma um show na sua cidade, mas os ingressos se esgotam quase que instantaneamente – e você fica sem o seu. A primeira sensação é de tristeza, pois a banda realmente mora no seu coração e vê-la ao vivo seria a realização de um sonho antigo.

No dia do show você vai até a porta do local e encontra inúmeros cambistas vendendo o ingresso por um valor equivalente ao dobro do preço da bilheteria. Você vai realizar o seu sonho e comprar o desejado ingresso da mão de um cambista, pelo dobro do preço pelo qual você pagaria se eles não tivessem se esgotado?


Agora vamos pensar em uma variação da situação anterior: agora os ingressos não se esgotaram, e você facilmente conseguirá comprá-los na bilheteria no dia do evento.

Só que ao chegar ao local do show, você se vê circundado por cambistas vendendo as entradas pela metade do preço da bilheteria. Como os ingressos não se esgotaram dessa vez, eles querem se livrar deles para o prejuízo ser menor. E aí, você compra o ingresso com desconto dos cambistas ou paga o preço total na bilheteria?

Por mais que pareçam situações quase que inversas, a minha postura em ambos os casos seria a mesma: não comprar do cambista, mesmo que isso signifique que eu não veja minha banda favorita, ou que economize menos dinheiro do que poderia. E isso não é falta de amor próprio. Comprando de um cambista, eu estaria sendo conivente com uma prática ilegal que prejudica muita gente ao troco do lucro de meia dúzia de pessoas.


Pense na situação dos ingressos esgotados: cambistas compram boa parte dos ingressos disponíveis, impedindo várias pessoas de adquirirem os seus legalmente. Para cada ingresso na mão de um cambista existe uma pessoa que queria fazer a coisa certa e foi impedida. Ao comprar de um cambista, essas mesmas pessoas acabam pagando um valor acima do preço do ingresso para o lucro dos (em parte) responsáveis pelo esgotamento dos ingressos. É meio contraditório você deliberadamente dar dinheiro para alguém que intencionalmente te prejudicou.

Já a situação do cambista tendo que vender seus ingressos com prejuízo, em um primeiro momento pode até parecer interessante, só que ao comprar um ingresso nessa situação, você fará com que o cambista perca um pouco menos de dinheiro do que perderia, quando o ideal era que ele perdesse tudo – afinal ele agiu com a intenção de tirar vantagem sobre os outros. De certa forma, é um incentivo para que ele continue com essa prática. E não se esqueça, isso também é ilegal. E veja só: se ninguém comprar ingressos de cambistas, eles não terão para quem vendê-los. Sem mercado, eles provavelmente deixariam de existir.

Parece meio utópico pensar em um mundo em que não haja cambistas – eles estão presentes em todo tipo de evento, em todo tipo de país. O que procuro é fazer a minha parte, e convencer as pessoas a fazer o que eu considero correto. E se você chegou ao final desse texto decidido a nunca mais comprar um ingresso de cambista, o meu objetivo terá sido alcançado.


06 março 2016

Segundo mandato de Dilma quadriplicou as intenções dos brasileiros de morar nos Estados Unidos

Uma das notícias mais curiosas do mundo de jornalismo de dados (ou data jornalism) da última semana foi de que as buscas por "como se mudar para o Canadá" aumentaram cerca de 350% nos EUA após a vitória de Donald Trump em prévias da eleição americana. Os dados foram obtidos utilizando-se o Google Trends, uma ferramenta do Google que mostra as tendências de pesquisas realizadas no site de busca da empresa.

Não é novidade que vivemos uma situação politicamente turbulenta no país. Resolvi utilizar a mesma ferramenta para identificar tendências da população brasileira. O gráfico abaixo mostra o resultado do histórico de buscas por "morar nos estados unidos" realizadas em território brasileiro desde janeiro de 2011, início do primeiro mandato de Dilma como presidente do Brasil.


O resultado surpreende. Claramente, vê-se um degrau no gráfico. De janeiro de 2011 para janeiro de 2015, início do segundo mandato, as buscas mais que triplicaram. Ao longo de 2015 a intenção de morar nos Estados Unidos caiu um pouco ao longo do ano, mas manteve-se num patamar equivalente ao dobro do que se viu no quatro anos anteriores.

O início de 2016 apresentou novo pico, dessa vem em um valor 4 vezes maior que o mesmo período em 2012.

A maior parte das buscas é originária do estado de Santa Catarina. Na segunda posição vem São Paulo, seguidos de perto por Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. O Rio foi o único desses estados em que Dilma teve maioria dos votos na última eleição.



É importante ressaltar que há um fator não considerado nessa análise: de que o número de pessoas com acesso à internet certamente aumentou nos últimos cinco anos. Esse aumento acarretaria uma ligeira diferença entre os resultados obtidos. Entretanto, por mais que ele tenha aumentado, provavelmente o número não quadriplicou. E vale notar que a correlação realizada entre o interesse dos brasileiros de morar nos EUA e o segundo mandato de Dilma é baseada em dados que não necessariamente tem relação entre si: pode ser apenas uma coincidência.

Quem quiser analisar os dados de forma mais aprofundada e fazer suas próprias correlações pode acessar o Google Trends por esse link.