boo-box

27 setembro 2016

Changeman e os subacos livres

Esquadrão Relâmpago Changeman

Quando eu era (muito) criança, em torno de 1988, um dos meus programas de TV favoritos era o Esquadrão Relâmpago Changeman. Além de assistir o seriado, eu tinha o uniforme do ranger vermelho, revistas em quadrinhos, álbuns de figurinhas entre outros badulaques. 

Só que como eu tinha apenas quatro anos, eu não conseguia entender muito bem os nomes dos personagens, principalmente quando eram estrangeiros.

Aí cismei que eles enfrentavam os SUBACOS LIVRES. Sério. De alguma forma, isso fazia sentido na minha inocente mente infantil. Era o que eu ouvia. E insistia nisso, ninguém conseguia me convencer que na verdade eles eram os SOLDADOS HIDLER.

Eu tentei rever a série depois de velho, mas ela não tem mais o mesmo frescor. É melhor ficar com as boas memórias da infância. Ainda assim, até hoje eu acho o nome que dei aos personagens muito mais interessante que o original.

E eu acho que é muito importante compartilhar essa história com o resto do mundo.

Os Subacos Livres

21 setembro 2016

Supermax (ou como o Netflix está mudando a forma da Globo fazer TV)


A Rede Globo acabou de estrear a série Supermax na sua grade de programação. O que nem todo mundo sabe é que desde o fim da semana passada, os primeiros onze episódios da série já estavam disponíveis para os assinantes do Globo Play, o serviço de streaming da emissora. É praticamente o que o Netflix faz com suas séries, com a diferença que o último episódio não foi disponibilizado (e deve ser guardado para que a série se encerre na TV e na internet ao mesmo tempo).

Desde o lançamento dessa plataforma, eu me perguntava se alguém pagaria uma assinatura para ter acesso à programação distribuída gratuitamente em um canal aberto. A resposta veio mais fácil do que eu esperava: assim que descobri que Supermax estava disponível, foram menos de 24 horas até eu me tornar um assinante. Se eu, que quase nunca assisto TV, me interessei, a Globo deve ter ganhado muitos clientes no país. (Uma dica: eu realmente estava disposto a pagar os 15 reais da mensalidade, mas ao abrir o aplicativo na minha TV Samsung, descobri que eu tinha direito a quatro meses gratuitos, graças a uma parceria com a fabricante coreana. Caso tenha uma Smart TV da Samsung, confira se você é elegível à promoção).

Supermax me instigou a curiosidade na última Comicon Experience, quando a Globo fez um painel no evento sobre a série. Confesso que não vi o painel, mas o fato da emissora estar presente em um evento de cultura pop foi o suficiente para que eu procurasse mais informações sobre a produção. Quando descobri que o escritor Raphael Draccon era um dos roteiristas, fiquei ainda mais interessado e aguardei ansiosamente a estreia da série.



Supermax é o nome de um reality show que acontece dentro de uma prisão de segurança máxima. O primeiro episódio tem uma estrutura muito parecida com o início do Big Brother Brasil, com a apresentação das regras e dos participantes, e o Pedro Bial (sim, ele mesmo) como mestre de cerimônias. Esse episódio tem um tom muito diferente dos episódios seguintes, mas creio que isso é necessário para a ambientação do público da Globo. Caso você veja o primeira episódio e ache que está com muita cara de BBB, não desista, a partir do segundo, que começa a traçar melhor as relações entre os participantes, a situação melhora e a qualidade só aumenta.

A série engrena de verdade no terceiro episódio, com várias intrigas e situações inexplicáveis (ao menos até o momento). Estou no sexto (que me deixou embasbacado) e cada episódio tem superado o anterior. Fico pensando e criando teorias para tentar desvendar os mistérios e saber o que realmente está acontecendo.

É muito interessante ver a Globo apresentando temas incomuns à sua programação de forma tão aberta, em alguns casos de forma explícita: pedofilia, satanismo, crimes bárbaros, tortura, esquartejamento, uso de drogas pesadas, (muito) sangue, vômitos, violência e sérias discussões sobre vida, morte e sobrevivência. Supermax é uma série de terror. Tem criaturas e eventos sobrenaturais (ou será que não são?). Em entrevista ao Omelete, Raphael Draccon menciona que "não acredita que eles vão colocar no ar tudo que foi pensado".

Os efeitos especiais nem sempre são naturais, mas são bons o suficiente e superam muito do que é visto na TV. A Globo tem algumas apostas em computação gráfica muito questionáveis como a mesa tática usada nas transmissões esportivas e, mas em Supermax os efeitos cumprem bem seu papel e superam o que normalmente é visto nas produções nacionais. A maquiagem é caprichada e alguns ferimentos chegam a ter enjoo pela sensação de realidade transmitida.


Essa é a primeira grande aposta da Globo na distribuição de conteúdo pela internet e certamente o seu resultado deve influenciar a estratégia da emissora para o futuro. Há mais de uma década eu não acompanhava uma produção de teledramaturgia da emissora e provavelmente há muito gente como eu que só virou os olhos para a Globo agora. Isso é um ótimo sinal. Torço para a longevidade da série (se o seu final der abertura para isso) e para que mais projetos assim ganhem espaço.

O site da série ignora, de certa forma, o fato de que os episódios já estão disponíveis e fala muito sobre o episódio atual. Natural, pois a maioria do público provavelmente está acompanhando Supermax pela TV.

E tem mais uma coisa que parece boba, mas me trouxe uma sensação boa: adorei o fato de estar vendo um série de terror e os atores estarem falando português. Pra quem prefere a interpretação original à dublagem, ver uma trama assim desenvolvida em português foi uma alegria.

A série foi uma surpresa muito positiva, recomendo fortemente que assistam. E se não quiserem esperar uma semana pra ver cada episódio, a mensalidade do Globo Play custa menos que um ingresso de cinema.

Estou muito feliz com o resultado e envolvido com a trama. Terminando esse texto vou ali assistir mais um episódio. Só não sei se consigo esperar pra ver o último em dezembro! (Acho que seria fantástico se a Globo fizesse o lançamento do episódio em uma transmissão na próxima edição da Comicon Experience).

Supermax é transmitido toda terça às 23:30 ou a qualquer momento pelo Globo Play.


08 setembro 2016

Eliminar a tradicional entrada para fones do iPhone não é uma tragédia tão grande quanto parece


Tradicionalmente, as novas versões do iPhone lançadas anualmente não trazem grandes mudanças em relação à versão anterior. São melhorias incrementais que transformam um produto de alta qualidade em um produto melhor ainda.

No entanto, o iPhone 7 trouxe uma mudança que, em um primeiro momento, parece muito radical: a saída para fones de ouvido foi eliminada do aparelho. Para conectar os fones, agora é necessário usar a porta Lightning, a mesma utilizada para carregar o celular. O telefone virá com um adaptador para conexão de fones com o plugue tradicional.

Não é a primeira vez que a Apple elimina de seus produtos algo que era considerado essencial para os usuários. Já foi assim com o floppy disk, com o drive de CD/DVD e com o suporte a Flash, por exemplo. Em todos os casos, acabamos percebendo que não precisávamos disso mesmo e a Apple estava certa.

Como defesa para a decisão da empresa, podemos alegar que quem já usa fones de ouvido e caixas de som com conexão via bluetooth não terá mudança no uso do produto. Outro ponto é que todos os aparelhos virão com o fone de ouvido já no novo formato e que deve ser o único que boa parte dos clientes irá usar durante toda a vida útil do produto. E tem mais um detalhe: a saída lightning permite uma qualidade de áudio melhor que a tradicional P2. Acredito que esses argumentos fazem todo o sentido, e são aplicáveis para a maioria dos consumidores.

Mas há alguns casos críticos. Eu, por exemplo, costumo passar boa parte do dia com o telefone plugado na tomada, carregando, e o fone de ouvido plugado no aparelho. Essa situação será impossível no novo iPhone, pois é necessário optar por usar o fone ou recarregar a bateria. Quem gosta de jogar Pokémon Go na rua com fone de ouvido também vai ter que optar por usar o fone ou recarregar o celular usando seu banco de baterias portátil.

Eu tenho um fone de ouvido com conexão bluetooth, mas não gosto de usá-lo no dia-a-dia. Deixo-o reservado para quando estiver correndo - o uso diário em alta intensidade gera a necessidade de carregá-lo a todo momento e eu não quero ter que me preocupar em carregá-lo todos os dias.

Outro problema é a retrocompatibilidade com fones antigos. Hoje existem fones muito caros e duráveis e quem possui esses fones dificilmente irá trocá-los com frequência. No meu caso, eu uso o meu fone com o smartphone, Xbox, Wii U, Nintendo 3DS, e meu computador. Não faz sentido eu utilizar um padrão que seja incompatível com a maioria dos meus dispositivos. Entendo que o novo iPhone virá com um adaptador, mas convenhamos: é muito chato ter que ficar usando adaptadores.

No entanto, acredito que essas situações acontecem com uma parcela muito pequena dos usuários. O que veremos serão usuários felizes e contentes por terem comprado seus novos iPhones, afinal a Apple é campeã em satisfação do consumidor. Na prática, a maioria do público nem deve sentir a mudança. Nem eu, pois não pretendo trocar o meu smartphone tão cedo. No fundo, é uma mudança corajosa, mas desnecessária. Embora tenha alguns pontos favoráveis e não traga tanto prejuízo, fica difícil dizer que o resultado final foi positivo.

[ATUALIZAÇÃO - 09/09/2016]

Após a publicação desse post no meu perfil no Facebook, surgiram alguns comentários de amigos que considerei muito relevantes para a discussão.

O Valter Coutinho comentou que "faltou só tocar no ponto do ganho financeiro pra empresa em se usar uma conexão proprietária e como a compra da Beats alguns anos atrás já foi pensada pra tornar o produto, fone de ouvido, em algo lucrativo pra empresa. Maior exemplo é o novo fone wireless dela custando 1400 reais no Brasil."

Já o Vital Silva, perguntou se existe um adaptador para que seja possível carregar a bateria e usar o fone de ouvido ao mesmo tempo, e acabou encontrando a notícia de que a Apple vai vender adaptadores para isso. Há um sutileza nisso: a Apple irá VENDER. Ou seja, mais um produto para gerar receita para a empresa. E tem outro agravante: como pode ser visto na figura abaixo, o adaptador fabricado pela Belkin apenas duplica as portas lightning, o que quer dizer que para utilizar um fone tradicional você terá que utilizar outro adaptador.


Pensando nessa situação, imaginei como seria usar o telefone com tantos adaptadores. Acho que ficaria mais ou menos como a figura abaixo:


[ATUALIZAÇÃO - 10/09/2016]

O Valter Félix fez um comentário que depõe contra o argumento de que a saída lightning permite uma qualidade de som melhor. Apesar de não termos informações precisas, vale a pena levar esse comentário em consideração: "Você falou no post que a saída lighting permite uma qualidade maior que a P2. Acho que isso seria verdade se a informação na saída fosse digital (e logo o dac estivesse no fone). Como não é o caso, acredito que a Apple vai simplesmente usar dois pinos no conector para transmitir o sinal analógico de áudio para o fone, ou seja, mesma coisa do conector P2.
Pode ser que tenha uma proteção maior contra ruídos, não sei, mas mesmo assim a variação perceptível de qualidade sonora vai estar no fone."