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22 novembro 2016

É triste admitir, mas desisti das revistas de papel



Desde criança, um dos meus passatempos preferidos sempre foi ler revistas. Visitar bancas de revistas repetidamente ao longo de cada dia era um passatempo frequente, e eu acreditava que na minha aposentadoria eu seria dono de uma banca. Só que eu acho que até lá, dificilmente teremos mais estabelecimentos como esse.

Em determinados momentos da minha vida, cheguei a receber mais de 20 revistas a cada mês em minha casa - e lia todas elas, da primeira à última página. Hoje não recebo mais nenhuma e as poucas assinaturas que tenho são digitais.

Esse processo de abandono de revistas não aconteceu de uma hora para outra. Aos poucos, fui abandonando publicações que já não eram tão interessantes e dando preferência à versão digital, quando disponível. Em outros casos, as revistas deixaram de ser publicadas (como a Info e a Billboard, por exemplo).

Até que no final do ano passado, ao invés de receber dezenas de revistas eu só tinha as assinaturas digitais da Wired e da Mundo dos Super-Heróis, e a impressas da Rolling Stone e da Nintendo World. Só que aconteceu um fenômeno inesperado: as editoras das revistas impressas não me procuraram para realizar a renovação das assinaturas. Eu queria continuar tendo acesso ao material, mas parece que eles desistiram de mim.

Até tentei ler as duas publicações em versão digital pelo Iba (que é uma espécie de Netflix das revistas), só que o fato de não poder ler as revistas sem uma conexão com a internet (mesmo se estiverem baixadas no tablet) me fez desistir de pagar pelo serviço e, consequentemente, deixar de ter acesso às publicações.

Foi então que percebi que continuei me informando por outras fontes e as revistas não me fizeram falta. O formato está obsoleto e, por mais que eu tenha uma identificação afetiva com o papel grampeado, ele não é essencial. O que importa é o conteúdo, independentemente da forma como ele é consumido. As revistas estão tendo uma morte lenta e parece que os leitores não estão sentindo falta delas. E eu não consigo ver nenhum movimento contrário a isso, por mais que isso possa ser triste e decepcionante (pra mim, inclusive).



Hoje é raro (só digo que pois não posso afirmar categoricamente que isso não acontece) vermos novas revistas se aventurarem com sucesso nas bancas, ao passo que cancelamentos de publicações são cada vez mais frequentes.

E por mais que as editoras tentem se focar no meio digital, o público brasileiro ainda tem resistência de pagar por conteúdo desse tipo: em uma visita à banca da Play Store, é possível notar que a maior parte das reclamações é que a revista digital tem o mesmo preço da impressa e na concepção dos reclamantes deveria custar menos. Existe a mentalidade de que se paga pelo papel, e não pelo conteúdo. De qualquer forma, o sucesso de plataformas de assinatura como o Spotify e a Netflix no Brasil são um sinal de que as pessoas podem vir a pagar por revistas digitais em algum momento.

A única assinatura que sobreviveu foi a da versão digital da revista Mundo dos Super-Heróis. Acabei participando da campanha de financiamento recorrente da revista Dragão Brasil que, depois de 10 anos longe das bancas, voltou a ser publicada apenas em formato digital.

Ainda visito frequentemente as páginas na internet das revistas que abandonei como Rolling Stone, Nintendo World, Época e Wired, por exemplo. É triste admitir, mas desisti das revistas de papel...

P.S. 1: Revistas em quadrinhos não estão incluídas no escopo desse texto!

P.S. 2: Eu continuo comprando revistas em quadrinhos, mas na maioria das vezes não é em bancas. Lojas online como a Amazon e a FNAC costumam ter preço muito mais competitivos. Além disso, acesso quadrinhos em formato digital pelo Comixology e Social Comics.