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Livrarias já não são o melhor lugar para comprar livros



Livrarias sempre me fascinaram. Elas costumavam ser um dos lugares para onde ia a maior parte do meu dinheiro, competindo pela liderança apenas com bancas de revistas. E, embora a quantidade de livros que compro nos últimos anos tenha aumentado significativamente, essas compras estão sendo realizadas majoritariamente na Internet.

Mais da metade dos livros que compro são em versão digital - e nessa caso as compras necessariamente vão ser online. Entretanto, comprar livros de papel em livrarias tradicionais não tem sido vantajoso.

Fica muito difícil competir com as lojas virtuais: elas  conseguem oferecer preços que, em geral, são 40% menores que os preços das lojas físicas. Além disso, em certas promoções os descontos chegam a 90%. É quase uma covardia mas, como consumidor, minha decisão na maioria das vezes é baseada no preço.

As livrarias viraram grandes showrooms (lojas de mostruário). São lugares que frequento para conhecer os produtos: folheio as páginas dos livros que estou interessado, busco coisas novas e fico escolhendo qual será minha próxima leitura. Na hora de comprar, ao me deparar com o preço, costumo desistir e comprar em uma loja online - em alguns casos, do mesmo dono.

Nessa semana, visitei a Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. Fiquei bastante tempo na loja, mas saí sem gastar um centavo - todos os produtos que me interessavam custavam menos em lojas online - o que reforça a tese de que as livrarias são hoje apenas showrooms.

Sei que isso pode acabar com as livrarias na forma como conhecemos em médio ou longo prazo, até mesmo porque preço tão baixos podem inviabilizar suas operações. Por isso acho o futuro das livrarias bastante nebuloso: a concorrência é desleal e para boa parte dos consumidores o preço final do produto vai ser sempre um fator determinante. Quando essa "parte" se tornar a grande maioria, dificilmente as livrarias ainda estarão entre nós.


Recomendações de lojas online

Amazon - costuma ter os melhores preços.
Saraiva - consegue ter preços melhores que a Amazon em alguns casos
FNAC - é competitiva nos preços de quadrinhos

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É triste admitir, mas desisti das revistas de papel (nov 2016)
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E você, como vai ler livros no futuro? (ago 2010)

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