Pular para o conteúdo principal

Queda no banheiro químico: uma história de Carnaval

Esse caso não aconteceu comigo, mas acho a história é boa demais para ficar restrita a um pequeno grupo. O personagem principal é conhecido de um amigo meu (o que quer dizer que talvez ele nem exista, e essa história foi inventada) e, como não sei seu nome, vou chamá-lo de Beto Jamaica.

Tudo começou em um carnaval de rua de Belo Horizonte, quando Beto Jamaica já tinha bebido bastante, e iniciou suas inevitáveis idas ao banheiro. Ao tentar entrar no banheiro químico, com sua noção espacial já debilitada, Beto tropeçou no degrau e caiu banheiro adentro. A mão esquerda segurou a lata de cerveja que, naturalmente, não derramou nenhuma gota da bebida. Já a mão direita impediu que ele caísse de cara no chão, mas com um alto custo: ela ficou enterrada dentro do vaso.

Falar que a mão ficou enterrada não era um exagero: era um momento em que o banheiro química já carecia de limpeza e estava quase transbordando de fezes. Lembram da cena de Jurassic Park em que a Ellie Sattler mergulha suas mãos no cocô de um dinossauro? Aconteceu o mesmo com o Beto Jamaica, só que foi involuntariamente.


O banheiro químico não tinha nenhuma torneira ou outra fonte de água, mas ele estava inspirado em sua busca por siluções criativas: resolveu urinar no próprio braço, de forma a tirar o grosso da sujeira. Foi uma ação paliativa que funcionou parcialmente, mas pelo menos tirou a maior parte dos sólidos.

Fazendo jus ao fato de ser um brasileiro e não desistir nunca, ele saiu do banheiro cheio de autoconfiança e começou a procurar algum ambulante vendendo cerveja em uma caixa de isopor. Quando visualizou uma caixa cheia de gelo, água derretida e latas de cerveja, foi como ver um Oásis no deserto. Beto Jamaica não hesitou em perguntar ao vendedor: "Posso ver se sua cerveja está gelada?". Antes mesmo de ouvir uma resposta, mergulhou seu braço inconsequentemente o mais fundo que conseguiu na água e agitou bastante. E veja só: nem uma latinha ele comprou da caixa batizada.

E continuou curtindo o dia de carnaval fedendo, mas se divertindo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os patos de Patópolis e o Pato Fu

Recentemente, enquanto lia uma revista do Ducktales (os caçadores de aventuras, todos eles são grandes figuras), me deparei com um quadrinho onde o Capitão Bóing fazia uma ameaça aos seus adversários invocando o poder do Pato Fu (ou seja, o kung fu dos patos). Achei a referência divertida, postei no Twitter, a própria banda retweetou a publicação, mas achei que era um caso isolado.


Pra quem conhece a história da banda, o uso desses termos faz todo sentido. O nome Pato Fu foi inspirado em uma tira do Garfield onde ele lutava Gato Fu.


Normalmente esse tipo de referência é chamado de "easter egg", termo em inglês para ovo de páscoa. É uma surpresa escondida na narrativa (seja ela em quadrinhos, prosa, cinema etc) que não tem influência na história. Assim, quem conhece a referência acha interessante, se diverte um pouco mais e pra quem não conhece a vida continua como se nada tivesse acontecido.

Algumas semanas depois, lendo o volume "A Cidade Fantasma", da coleção do…

As notícias falsas que confundiram o público da Campus Party MG

Tive o prazer de ministrar uma palestra na última edição da Campus Party em MG com o tema "Fake News - Como viver num mundo de mentiras". Em breve, essa palestra estará disponível no YouTube e, assim que tiver o link, compartilho com você.



No início da minha apresentação, mostrei algumas notícias e pedi para o público preencher um questionário avaliando se cada publicação era verdadeira ou falsa. TODAS eram falsas, por mais convincentes que parecessem.

O público da Campus Party é jovem e ligado em tecnologia, o que poderia nos levar à hipótese de que estariam mais antenados e conseguiriam identificar o que realmente aconteceu. Os resultados foram um pouco diferentes.

A primeira notícia falava que o plantão da Globo nos atentados de 11 de setembro interromperam um episódio de Dragon Ball Z. 44% do público estava convencido de que isso era verdade. Esse é um caso curioso, pois é muito comum encontrarmos pessoas que afirmam se lembrar do ocorrido, mas essa é uma espécie de memória…

Quanta inovação pode conter um chinelo?

Não, eu não vou falar das Havaianas. A história da fabricante de chinelos brasileira que coloriu seus chinelos (que eram) feiosos e passou a ser um ícone da moda mundial já foi suficientemente explorada como exemplo de inovação no mundo dos negócios.

Eu vou falar é da Florine Chinelos, marca bem menor, mas com um produto interessantíssimo e um potencial de crescimento tremendo. Conheci a história da empresa em uma palestra de Alexandre Robazza, do SEBRAE SP.


Parece bucha de banho, né? Mas na verdade é o mesmo material utilizado para fazer tapetes. Aliás, o chinelo foi criado numa fábrica de tapetes.
Incomodado com as tiras que sobravam na fabricação dos tapetes, o criador do produto Carlos Gasparini, buscava alguma utilidade para os retalhos, até que um dia teve a ideia de fazer um chinelo. Após várias tentativas e com o protótipo em mãos, foi procurar o SEBRAE.
Com o apoio do SEBRAE, patenteou o produto, registrou a marca e começou a produção. Claro que não foi da noite para o dia, h…