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O brasileiro quer se vacinar contra a COVID-19. Ainda bem.

 O Brasil atingiu uma marca importante no dia 12 de agosto de 2021: de acordo com os dados compilados pelo Poder 360, o país ultrapassou os Estados Unidos em porcentagem de vacinados com a primeira dose da vacina contra a COVID-19. É um índice que surpreende não só por estarmos na frente de um país onde sobram as vacinas estão sobrando e o governo chega a incentivar financeiramente as pessoas a vacinarem, mas também porque havia indícios que a hesitação vacinal no Brasil poderia ser um grande problema. Felizmente, a cultura de vacinação brasileira indica ser forte o suficiente para que a população se vacine. Apesar de muitas manifestações contra a vacina (muitas vezes, de forma quase que inacreditável, liderados pelo presidente do Brasil), o que tem ocupado as redes sociais é o apoio à vacinação.

Reprodução: Poder 360

O brasileiro abraçou a vacinação: vacinar-se contra a COVID-19 virou um evento onde as pessoas escolhem cuidadosamente quais roupas vão usar, quais cartazes vão levar, tiram fotos e vídeos para compartilhar com os conhecidos e desconhecidos e manifestam-se em defesa do Sistema Único de Saúde. Uma busca simples pelas hashtags #VacinaSim e #VivaOSUS, nas redes sociais, serve como um bom exemplo do que vemos nas redes e chegam a centenas de milhares de publicações e milhões de visualizações. Pra facilitar a busca, compilamos os links abaixo.

Twitter: #VacinaSim #VivaOSUS

Facebook: #VacinaSim #VivaOSUS

Instagram: #VacinaSim #VivaOSUS

TikTok: #VacinaSim #VivaOSUS

Ainda não mensuramos o impacto dessa forte presença pró-vacina nas redes sociais, mas é inegável que isso gera um impacto positivo.

Um tweet que foi publicado pelo usuário @_royalewcheese, em tom de brincadeira, buscou entender os motivos do movimento antivacina não ter ganhado força no Brasil a ponto de atrapalhar a imunização dos brasileiros. Apesar da ironia típica do Twitter, são questões a se pensar.

Reprodução: Twitter

A cultura de vacinação no Brasil certamente tem em um de seus pilares a gratuidade. Fico até surpreso de não ter encontrado ainda algum relato de alguém que quis levar o ditado “De graça, até injeção na testa” até o extremo e se imunizar pela fronte. O fato da vacina ser custeada pelo SUS é um fator fundamental para que a população se vacine, especialmente em um país tão desigual quanto o Brasil. O “fazer qualquer coisa que tá todo mundo fazendo” reflete um pouco do nosso senso de sociedade. E as manifestações nas redes sociais podem até mesmo gerar o FOMO (“fear of missing out”, ou “medo de perder”, em uma tradução livre) e impulsionar a vacinação.

Há décadas temos campanhas intensas (e efetivas) de vacinação no país. Foi com a vacina que erradicamos, entre outras doenças, a varíola, pólio e o sarampo (essa última voltou a ter casos no Brasil depois de uma queda de cobertura vacinal).

No contexto da COVID-19, Há a cada dia evidências mais claras de que as vacinas funcionam. Nos EUA, por exemplo, o número de mortes de não vacinados chegou a representar 99,5% dos mortos pela COVID-19. Fala-se até mesmo em uma pandemia entre não vacinados.

Mas a intenção de se vacinar chegou a variar significativamente durante a pandemia. O Datafolha acompanhou a intenção dos brasileiros se vacinarem e a mudança ao longo do tempo foi significativa. Em dezembro de 2020, quando a vacinação contra a COVID-19 ainda não tinha se iniciado, a porcentagem de brasileiros que tinham a intenção de se vacinar atingiu seu menor índice: 73%. Em julho de 2021, no entanto, o valor recorde de 94% de intenção de se vacinar foi alcançado.

Reprodução: Folha de S. Paulo

A retomada da confiança na vacinação (confiança que, apesar de abalada, nunca foi perdida) é essencial para sairmos da pandemia e parece que estamos nesse rumo.

O que podemos concluir é que o brasileiro quer sim, se vacinar. A busca pelo charlatanismo da ivermectina e da cloroquina contra a COVID-19 tem diminuído e o discurso a favor de tratamentos sem eficácia arrefeceu. Declarações absurdas como a proferida por Jair Bolsonaro de que “menos da metade vai tomar” a vacina soam ainda mais absurdas.

Buscas por ivermectina no Google ao longo do tempo (Google Trends)

Buscas por Cloroquina no Google ao longo do tempo (Google Trends)

E os índices de vacinação estão subindo. No entanto, o caminho para a imunização dos brasileiros ainda é longo. O número de 73,9% dos brasileiros adultos vacinados com a primeira dose é animador, mas a porcentagem de pessoas totalmente vacinadas (2 doses ou 1 dose de vacina de dose única) é 22,7%. Para muitas pessoas, a data da segunda dose ainda chegou, mas existe o problema das pessoas que poderiam ter tomado a segunda dose de acordo com o calendário de vacinação e ainda não fizeram. De acordo com o ministro da saúde Marcelo Queiroga, em 10 de agosto de 2021 esse número era cerca de 7 milhões de pessoas. Além disso, há estudos sobre a possível aplicação de uma terceira dose de vacina como reforço. E mais: falamos de adultos vacinados: jovens e crianças também podem ser infectados, desenvolver e transmitir a doença, e precisam ser imunizados. Se considerarmos a população total, esses números caem.

O faltava era a vacina para todos. Ainda falta, mas ela está chegando e os calendários de vacinação estão sendo atualizados de forma a adiantar as doses. Quando chegar a sua vez se vacine. Eu fiz a minha parte: por mim, por você, pelos brasileiros e por todas as pessoas do mundo. A vacina é um ato coletivo e só com a imunização da população conseguiremos sair da pandemia.

É claro que eu também quis relembrar o meu dia de vacinação como um grande evento.

Texto também publicado no meu perfil no Medium.

Comentários

  1. A depender exclusivamente da população, a vacinação só não está em índices maiores por conta dos "sommeliers" de vacina e por ser duas doses e ocorrer a falta do cidadão para a segunda dose.
    Ademais, por outro lado, até tem a turma que estão em busca da terceira dose tentando burlar os registros da vacinação e até entrando com pedidos judiciais para tentar obter a dose extra.

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